domingo, 30 de dezembro de 2012

=2.013 CHEIO DE ESPERANÇA=

COMEMORAÇÃO   PASSAGEM    DE   ANO 

Bem sei que poucos me lerão hoje e amanhã.  
É um dia de festa. Momento em que famílias se reúnem, que estão a noite em ceias e, durante, o dia em longos almoços. Alegria, abraços, desejos de prosperidade e saúde expressando-se em amor destacado.
Também há os solitários que, por uma razão ou por outra, passam sós o Ano Novo.
Mas ao blogueiro penso ter o dever de falar a uns e a outros. E, mesmo que não o leiam, ele é obrigado a tecer aqui comentários. Escrevo para o tempo. Para um em particular e para todos.
Este é um problema e a um só tempo um desafio.
Sei, igualmente, que o ano que passou finda hoje e, talvez, não tenha sido maravilhoso para todos e muitos tiveram suas tristezas, ao lado da alegria de outros.
DIVERSIDADE  DOS  MUITOS  SENTIRES

Devo falar então aos alegres, aos triste, aos solitários   e aos aflitos ?
Penso ser meu dever falar a todos.
Há uma lenda árabe muito bonita e romântica. Entendo ser uma mensagem de esperança.




LENDA  DO ANEL 
 Um rei usava em seu dedo anular um anel, cuja gravação dentro do mesmo dizia: “Isso também passa.”
Três palavras. Somente três. Mas que enorme o significado delas ! Imenso ! Quase inalcançável em sua grandeza filosófica.
A alegria, a tristeza, o poder, a humilhação, a riqueza, a pobreza, as aflições, a dor, a paz, o ir e o vir podem passar. Sempre podem passar. Tudo pode passar.
Talvez as únicas palavras que não podem estar nesta majestosa lenda: A resignação e a renúncia.
A cada um de vocês que me leem eu desejo dar um anel como este, com esta gravação dentro dele. E, para o Ano que nasce agora, nunca esqueçam:

ISSO TAMBÉM PASSA

A todos muita, muita esperança mesmo.
Que Deus os abençoe a todos.

J. R. M. Garcia.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O REGRESSO

CORISCO

Em atenção ao eficiente gerente do “resort” onde habito, Sr. ΝΙΚΟΛΑΟΣ   ΧΑΡΙΛΑΟΣ   ΚΑΣΦΙΚΗΣ, um grego, vou terminar o fato verídico que narrei ontem. O retorno da viagem a Pontes e Lacerda. Também em atenção a todos vocês. Mas ele solicitou-me. Afinal, todo grego é curioso, vocês sabiam ?
Vamos lá.
Embarcamos a bordo do pequeno “corisco” e, em uma pista estreita e curta, alçamos voo em direção contrária ao vento. O piloto e o gerente do frigorifico à frente, eu atrás. Logo voltamos e tomamos o rumo da Serra das Araras.
Chegado a um determinado ponto adrede definido pelo piloto, começamos a fazer voltas. (o GPS ainda não existia). Subíamos sempre. Umas quatro voltas se bem me lembro. Em espiral ascendente. 
SOBRE AS NUVENS
Por fim, suponho que cerca de 1.500 mts. de altura, vimos sobre a serra uma cortina de nuvens densas e o horizonte azul, livre a perder de vista.  
Aí entendi o estratégia do piloto.
Ele subira, fora da serra, até a altura que, vendo em baixo a cortina de nuvens, ia pular a serra em cerca de meia hora mais ou menos e, do outro lado desceria também sem nada que lhe opusesse a visão.
Medida inteligente: pular as nuvens, a neblina, a serra e, do outro lado, descer.
Voamos aproximadamente uns trinta minutos.
O piloto começou a inverter a posição da quilha, a medida que fizera antes ao subir. Fazendo uma espiral descendente começamos a ir ao rumo em que ele, pelos instrumentos, supunha que estava a pista.
Pronto.
CABINE DE PILOTO EM VOO CEGO
Aí a coisa embaraçou e embaçou.
Mergulhamos novamente em uma neblina tão densa como a que fugíramos dentro da serra. Não se via nada.
A orientação era o altímetro e orar para que, de fato, tivéssemos “pulado” a serra e nenhum morro nos esperasse do outro lado para matar.
FLAPS DE ARRASTO
Creiam-me: o tempo não se mede pelas horas e nem pelos dias. Mede-se sim pela intensidade de nossas emoções. Os instantes haviam congelado. Nada falávamos. Só o ronco estridente e acelerado do motor e o flaps de arrasto segurando.
O avião descendo, descendo, buscando o solo em um voo com poucos graus de inclinação na quilha. Digamos que tateávamos as nuvens como a mão de um cego passa sobre uma mesa em busca de algum objeto. Mas o objeto aqui, se fosse uma antena alta ou um serro, ou torres de energia elétrica, era morte certa. Mesmo acelerado o “corisco” não teria tempo. Seria o fim.
Transpirávamos. O dia era quente. Gotas de suor escorriam pelas faces do piloto, eu vi. Nada falávamos.
Enfim, por Deus, vimos em um buraco entre a névoa em que enxergamos o chão. Como um rato o piloto embicou ali o avião antes que fechasse. Foi rápido, muito rápido. Estávamos abaixo das nuvens a uns duzentos metros do chão.
E voamos assim em linha reta rumo ao aeroporto, que não era o de Cuiabá, como eu esperava. Descemos em um campo de pouso de grama a uns 30 km. de Cuiabá. Porquê isso não perguntei e não sei.  
Enfim, pousamos. Descemos rápido como se estivéssemos saindo de uma câmara de tortura. O gerente do frigorífico, que deixara de fumar, voltou a fumar pedindo-me um cigarro.
Fui com eles para Cuiabá.
Neste dia não voei mais, embora pudesse. Estava esgotado.
O que ganhei com isso ?
Quase nada. Uns poucos níqueis. Com a fuga para a Bolívia nunca mais vi meus ex-clientes.
Até mais.
J. R. M. Garcia.  





quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

CAUSO VERÍDICO

CESNA  170

         Não me recordo porque assim foi.

       Mas o certo é que lá de Pontes e Lacerda, Mato Grosso, procurarem-me com um enorme problema de uma empresa que se dedicava a colheita de grãos, estocagem e distribuição. Sua dívida ficou imensa. Vários bancos, empresas privadas, tratores financiados, caminhões transcendiam em muito seu patrimônio.

       A viagem era longa. Saia de São Paulo, descia acho que em Uberlândia e pousávamos em Cuiabá. No dia seguinte tomava um monotor fretado e, voando sobre a Serra das Araras, chegávamos, após uma hora e meia de voo, em Pontes e Lacerda. Pista de terra. O avião era um cesna 170.

SERRA  DAS  ARARAS

    Lindo voar sobre a serra em um dia claro. Vendo seus contornos nítidos, em voo baixo, apreciando exatamente as cabeceiras do Pantanal onde fácil era deduzir-se que ali fora uma baia onde o mar adentrara há milênios passados. Disseram-me que no alto das serranias, ainda se encontra conchas marinhas. Nitidamente, nas escarpas destas serras a gente vê, cá do alto, que o mar não desocupou rapidamente o local, mas foi um processo lento do afastar das águas firmando-se falésias agora secas por longos períodos. Desta serra nasce o Pantanal.

       E lá fomos nós.

PONTES  E  LACERDA 

       Uma hora e trinta de voo surge a cidade de Pontes e Lacerda.

          Aterrizamos. Esperavam-me.

       E foi aquela confusão por mais de semanas. Discussão com bancos, credores particulares, arrendamentos descumpridos e uma dívida imensa para a época. Impossível qualquer medida judicial.

       Como a Bolívia ficava próximo pela chamada “estrada do pó” (leia-se estrada da cocaína), aconselhei meus clientes a pegarem seus caminhões, que não eram poucos, carretas, carregá-los todos e em comitiva irem para a Bolívia, enquanto eu fazia ali uma espécie de “muro de arrimo judicial”, até que eles passassem a fronteira para o outro lado.

       E assim, com grande dificuldade em um embarque adrede preparado, eles “vazaram”, como se diz no linguajar chulo da fuga dentro da noite escura pela “estrada do pó”. E nunca mais soube do destino deles.

       Morreram ? Tornaram-se traficantes ? Conseguiram vida nova na Bolívia ?

       Nunca mais vi falar deles.

     Terminado o “muro de arrimo jurídico” tomei outro avião fretado e voltei.

       Agora tudo foi diferente.

PAULISTINHA

     O piloto era de garimpo e de tráfico de tóxicos. Não tinha brevê. O avião era outro. Era um “paulistinha” velho de lona encerada.

       Vi aquilo com medo e perguntei.

--A que altitude este avião vai ?

       O piloto, com cara de ressaca, entre uma baforada e outra respondeu:

--Uns mil e quinhentos metros.

--Mas então passaremos raspando o topo da serra ?

--É. Mas a gente conhece alguns caminhos no meio delas que não precisa ir tão alto.

       Mas...Tremendo o aviãozinho e eu, erguemo-nos.

    E fomos direto para a serra. Dentro de poucos minutos estávamos subindo para pulá-la.

       Uma névoa espessa, densa encobriu-nos toda visão.

   De repente eu dou grito horrível e completo minha explicação, a qual ele já vira.

       No meio da incrível cerração, haviam picos mais altos que o nosso aviãozinho. Teríamos de contorná-los. Mas naquela situação era impossível. Ele perdera a “estrada” de que falara.

--Vamos voltar....Ele completou.

       Mas eu pensava: “Voltar como, no meio daqueles picos que não víamos ?”

     Por fim, em um segundo clareou e abriu o horizonte. Estávamos voltando. O piloto sabia trabalhar em condições adversas com aquele teco-teco.

--Vamos descer aqui e esperar esta neblina ir embora.

       Dei graças a Deus. Aterramos em um frigorifico próximo a uma cidadezinha.

      Desci, peguei minha mala, pedi desculpas ao rapaz e disse que ia arrumar uma condução qualquer lá.

CORISCO 

     Uma hora depois surge no mitigado campo de aviação o gerente do frigorífico que ia passar por cima da Serra das Araras. Deu-me carona. Mas o avião era um corisco e isso já é outra história. Horrível por sinal.

       Outro dia conto.

       Abraços.

       J. R. M. Garcia. 

        




quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

= BANQUEIROS ISLÂMICOS =

REDE BANCÁRIA ISLÂMICA NO MUNDO 

Longe de mim admirar o islamismo. E, aliás, não conheço os fundamentos desta religião. Mas suas leis são severas demais.  Contra a mulher são verdadeiramente absurdas e vingativas, como se ninguém lá tivesse mãe. A poligamia para os  homens sugere,  inclusive, qualquer coisa que me escapa da compreensão.  

       Contudo, no sistema bancário islâmico, existe realmente equidade entre o tomador do “empréstimo” e aquele que o concede.

       Lá, todos vocês sabem, é proibido cobrar juros.

       E como age o sistema bancário ?


      Como não possuem, como aqui, LICENÇA PARA ROUBAR e eles seguem a Lei de Maomé. E, neste sentido, ela é justa.

       Como é este sistema ?

Simone Muller, vce-presidente do maior banco islâmico do mundoSimone Müller foi vice-presidente no maior banco islâmico do mundoSimone Müller foi vice-presidente no maior banco islâmico do mundo,


A operação bancária islâmica tem a mesma finalidade que a operação bancária convencional, salvo que opera-se dentro do acordo com as regras de Shariah, conhecidas como Fiqh al-Muamalat (Regras islâmicas em transações). O princípio básico de operação bancária islâmica é a partilha do lucro e da perda e a proibição de riba(usura). Entre os conceitos islâmicos comuns usados na operação bancária islâmica seja partilha de lucro (Mudharabah), custódia (Wadiah), empreendimento misto (Musharakah), custo a mais (Murabahah), e aluguel (Ijarah), a eventual perca é partilhada pelo banco e tomador do empréstimo. 

O banco e o devedor compartilharão então da continuação do negócio baseado na parte de equidade atual da parceria.

Assim, o investimento ético é o único formulário aceitável do investimento, e a relação moral é incentivada. Na teoria, a operação bancária islâmica é um exemplo de operação bancária, onde os bancos que conseguem um 100% de relação da reserva até que seja quitado o empréstimo com o zêlo para a plena equidade.

Deste modo, a justificativa moral para o pagamento de um módico aluguel com o empreendimento, é o compartilhamento dos prejízos mútuos em caso deste existir.

Quando o tomador fale, suas obrigações terminam como se lhe adviesse uma “morte civil”. 


Mas aqui é diferente. Não existe Saladino, mas existe o Papa, o qual foi dono do mal afamado banco Ambrosiano, com assassinatos, suicídios, furtos ligado a Máfia e escândalos de todos os lados, ainda agora na segunda metade do século passado.

Os bancos operam cá entre nós como uma ratoeira roubando, assaltando, usando dinheiro de traficantes à moda de Roma antiga, onde o ouro “não tinha cor, nem cheiro, nem pátria”.

Alguma lição sobre a importância desta visão islamica precisariamos tomar.

Tenham um ótimo dia.

J. R. M. Garcia. 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

PRESENTE DE NATAL



Esta é a mais remota lembrança que tenho de Natal.

Pode ser absurdo, mas não é.

E, também, pode não ser absurdo. Um fato comum, talvez. Contudo jamais o narrei a ninguém. E, realmente, não sei porquê não o fiz.

Quem primeiro ensinou-me a contar até 10 foi um velhinho   -muito velinho mesmo. E curioso ainda mais, é que ele tinha barbas longas e brancas como a neve. Nem sei o que aconteceu com ele. Eu tinha mais ou menos 5 anos. Claro, ele sumiu em uma morte que imagino tenha sido feliz. Não lembro seu nome.

Ele morava longe de minha casa. Em um arrebalde, em uma casinha pobre, caindo aos pedaços. Certamente conhecia minha família, pois dia sim dia não, ia até minha casa ensinar-me a contar.

Nas primeira vezes tive medo dele, pela barba grande e os cabelos compridos. Depois, quando vi que minha mãe o conhecia, já o recebia com alegria.


Ele no começo, ensinando-me, contava em seus próprios dedos. Depois, já que eu me interessava, deixava que ele pegasse em meus dedos e ia falando: “Este é um, este é dois, este é três...” Até que chegava no quinto dedo.

Quando passou para a outra mão tive uma enorme confusão. Para mim, imaginava que os números terminavam no quinto dedo.

Mas ele, com delicadeza, insistiu que deveria passar para a outra mão. E, assim, aprendi a contar até 10.

Eu não sabia o quê era Natal e nem que se dava presentes à esta época. Mas mesmo assim meu pai deu-me algumas coisinhas e disse que eram presentes. Fiquei contente e surpreso, pois era raro isso à aquela época.

Mas a surpresa veio do velhinho.


Ele pareceu lá em casa, dizendo que meu presente era....e tirou de um saco de linhagem.

Um lindo pequeno arco, com três flechas, feito à mão e envernizado, com talos de bambus grossos enrodilhados muito bem à fogo, incrustado e amarrados. Explicou-me como manejar a linda peça.

Todos olharam a beleza da peça que ele produzira.

E, surpresa geral.

O meu primeiro alvo...............foi meu pai.

Tenham um feliz dia de Natal sem estes presentes primitivos e perigosos.

Abraços.

J. R. M. Garcia.

 

 

domingo, 23 de dezembro de 2012

FELIZ NATAL

    Eu gostaria hoje de estar com todos vocês.
  Em um sonho mágico estar com cada um que me acompanhou na maratona de fazer este Blog. Abraçando um a um, todos. Afagando-lhes com um abraço muito apertado cada um de vocês.
  Quer seja triste, solitário, alegre, doente, animado, indisposto, indiferente, bêbado, pobre, rico, com aflição ou alegria, magoado  ou sereno, hospitalizado ou com saúde.  
   Queria, em meu sonho, estar agora, neste momento, dando um beijo carinhoso, cheio de afeto, na testa de cada um.
    Neste momento meu pensamento volta para um a um de vocês, esteja onde estiver.
   Sintam-se, com todo meu amor, abraçados por meu afeto verdadeiramente carinhoso.
   Que Deus e Papai Noel, indistintamente, estejam aí com você e, por mim e para mim (ou de mim), deem um sorriso para este meu sonho.
     Sejam, ainda neste instante, muito felizes.
     Abraço-os. 
   J. R. M. Garcia.

sábado, 22 de dezembro de 2012

PROSTITUTAS E PROSTITUTOS

Atleta que representou EUA em três Olimpíadas admite que virou prostituta


“A ex-atleta Suzy Favor Hamilton, que representou os Estados Unidos em três Jogos Olímpicos (1992, 1996 e 2000) nas provas de média distância do atletismo, admitiu nesta quinta-feira que tem levado uma vida como prostituta, em Las Vegas, cidade conhecida mundialmente pelas diversas atrações da noite, como cassinos e shows.”
Esta notícia vem do UOL.
Por quê o escândalo ?
Por quê a novidade ?
Por quê a estranheza ?
Convenhamos. Somos hipócritas quando ficamos escandalizados porque Suzy, honestamente, revelou esta circunstância de vida.
Prostitutas, dissimuladamente, vivem esta mesma conjuntura de idêntica forma, postando-se frente à comunidade com a pureza de uma donzela angelical. Estas mulheres são chamadas “hospedeiras”
Prostitutos também são paternalizados e patrocinados por mulheres, os quais lhes dão sexo e buscam-lhes outros homens para ela. Geralmente ele é bissexual.  Estes são “hospedes”. Geralmente são pobres, servis, cavalheiros.  Elas ricas, preguiçosas para a caça sexual, terceiriza para eles esta caça.
Estes prostitutos vivem na casa delas, recebendo cama, mesa, banho, roupa lavada, endereço em troca de seus “serviços”.  
Aqui, no caso em tela, apenas cabe um grau de qualificação: mais malandro são os “prostitutos hospedes” ou elas “prostitutas hospedeiras” ? Ou nenhum dos dois.  
De resto, são iguais. Prostitutas e Prostitutos ou Hospedes e Hospedeiras.

 Bem ao contrário da tricampeã Olímpica, a qual assume sua condição de vida frente à Sociedade.
Ela, quando nada, representou seu país e certamente deve ter um caráter forjado nas duras lides olímpicas como campeã. Foi nomeada um dos 100 atletas do ensino médio do Século pela Scholastic, revista de esportes. Estas outras, hospedeiras de seus hospedes, nada fizeram senão viver à sombra de seus eventuais pecúlios.
Não estou a estimular “hospedeiras” e “hospedes”, neste tipo de relação. Apenas não vejo razão para demonizar Suzy Favor Hamilton.
Autenticidade não é vergonha, mas sim coragem.
E ela acrescenta: “Foi uma válvula de escape para uma luta interna, uma vida dupla”,
Os tempos são outros agora e assim continuará por muito tempo. Ou não.  
Um ótimo domingo a todos.
J. R. M. Garcia.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

UM CONTO DE AMOR -HISTÓRIA VERÍDICA-

CASAL  DE  MÃOS  DADAS

      Eu esperando minha nora chegar no aeroporto. Vendo um e outro passar. Pensava cá comigo: “Cada um tinha seu destino certo, um rumo, uma razão de ser para ali estar.” Entre eles, eu.
       De repente (e foi de repente mesmo) senta um rapaz ao meu lado extremamente aflito, ansioso e vai logo falando:
--Estou esperando aqui minha namorada. Ela vem de Lisboa. O voo já está atrasado. Preocupo-me...
       Achei que deveria acalmar sua aflição.
--Normal. Estes voos longos sempre se atrasam.
--Ela é marinheira de primeira viagem, sabe ? Eu tenho medo, entende ? !
       E não me deu tempo para dizer nada e foi continuado.
--Sabe ! Eu adoro ela. Gosto muito mesmo. Espero que ela, também, goste de mim...
    Ele tinha seus quarenta e poucos anos, alto, espadaúdo.  Estava atribulado demais.
       Arrisquei um consolo cortando seu monólogo.
--Claro que ela gosta de você, ora. Se não gostasse não te namorava.
--Conhecemo-nos pela Internet, sabe ? Faz um ano. Conversamos de uns tempos para cá diariamente. Temos até hora marcada. Sabemos muito um do outro. Amamo-nos.
--Mas...
       Ele interrompeu-me tal sua ansiedade e continuou a falar.
--Eu adoro ela. Eu quis ir lá. Mas ela preferiu vir aqui. Eu a conheço todinha, você entende, né ?
       Não entendia não, mas o cidadão não parava. Não dava tempo para dizer nada.
--Ela diz que gosta de mim, mas não sei quando chegar aqui e ver-me. Você entende, né ?
       Eu não entendia não, mas ele continuava sem que me desse tempo para dizer nada.
--Eu queria trazer-lhe rosas, mas pensando nas malas dela achei que não devia....

HOMEM AO CELULAR

       O celular dele tocou. Atendeu. 
       Parou de falar e somente ouvia.
       Ouvia, ouvia e foi ficando pálido, depois vermelho e não dizia nada.
   Quando muito resmungava um “sei”, “sim”, “claro”, “pode ser”, “talvez”...
    Os autos falantes do aeroporto anunciaram a chegada do voo de Lisboa.
       Preocupado eu o olhava.
       Cada vez eu entendia menos.
       Ao final de uns 15 minutos ou mais, desligou o celular, olhou-me sem me ver e ouvi apenas uma espécie de grito rouco e ele olhando perplexo para o celular desligado. Estava em fúria.

HOMEM GRITANDO NO CELULAR DESLIGADO

--Filheeeeee..... da putaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ela não veeeeeeio.........
       Levantei rapidinho de onde estava sentado e sumi na multidão. Só parei quando estava a um quilômetro do local dos fatos. 
       J. R. M. Garcia. 




quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

ABOMINO EGOISMO


           Muito antes de Paracelso ( médico, alquimista, físico) proferir aulas de medicina em praça pública para que todos assistissem, já na antiga Grécia, filósofos como Platão, Sócrates, Diógenes e muitos outros faziam suas pregações em mercados, praças, logradouros públicos etc.
       Dizem alguns que somente uma suposta elite intelectual possa absorver a ideia destas pregações.
       Porém os gregos antigos e alguns outros na modernidade, não concordam com esta ideia preconceituosa. Em muitos períodos a cultura esteve presa em mosteiros, em treliças de reservados, mas não em outras ocasiões.

FILAS - FILAS - FILAS

            Obviamente que o cidadão comum, o qual realmente trabalha e depende de seu labor para sobreviver ou subviver, não pode dar-se ao luxo de intelectualizar-se. Tem que ganhar o pão de cada dia. Isso o impede de pensar, de estudar, de raciocinar em fatos aleatórios distante de seu labor e sequer cuidar da saúde. Exceções existem, mas estas são em percentual muito pequeno e realmente heroicas. O que paga aluguel, depende de condução sofre, e um de seus sofrimentos é, exatamente, a falta de intelectualização.
       Contudo, daí a dizer que o melhor é não divulgar as ideias sofisticadas, é de um egoísmo monumental. Seria de um elitismo bárbaro, cruel e burro. Um retorno estúpido ao xamanismo oculto entre tribos primevas, onde a cultura era proibida ao indivíduo comum. Eu já vi praças cheias com pessoas ouvindo música clássica. E vi pessoas atentas, admirando esculturas incompreensíveis. Disseminar a cultura por todos os meios é um dever cívico de mínima cidadania. 

JUNG

    Outro dia disseram-me que Jung falou isso em um de seus livros, afirmando que suas ideias somente destinavam-se a um elite intelectual. Sei que era casado com uma mulher riquíssima, que independia do trabalho usual para viver e que sua clientela era, também, pessoas ricas e inteligentes. Contudo, se ele disse semelhante besteira, minha admiração pela pessoa dele, nas limitações de sua torre de cristal, para mim demonstra uma profunda ignorância sobre o ser humano e um egoísmo enorme em sua sensibilidade pelo próximo. Aceito alguns de seus pensamentos, mas este enoja-me.
       Um abraço aos amigos, “junguianos” ou não.
       J. R. M. Garcia.
           
         

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

=PRESENTE DE NATAL=

ESTE   BLOGUEIRO

Amigos.
Este Blog atingiu ontem a marca das 10.000 visualizações. Também recomendações do Googol. E uma séria de entradas de países estrangeiros, sendo que somente dos EUA uma marca de 50 por dia.
A quem devo isso ?
A Deus e a vocês.
Por quê ?
Iniciei-o no dia 12 de junho com apenas 8 palavras e uma foto. Escrevi 251 crônicas. Posto diariamente. Estudei meses com uma excelente Professora.
Mas nada disso seria possível sem a leitura de vocês, os incentivos que recebo por e-mails e a ajuda de Deus dando-me saúde para realizar.
É um pequeno Blog artesanal, o qual faço sozinho, livre, sem a intromissão de ninguém.
O que este Blog dá-me ?
Simples.
1º)- Para quem já escreveu em jornal muitos anos, passei de uma técnica a outra, superando as marginalizações da comunicação no papel à eletrônica. Foi um desafio vencido.
2º)- Auto estima que, ultimamente, está em baixa.
3º)- Amor próprio pouco valorizado.
4º)- A possibilidade da expressão de minhas ideias dividindo-as com vocês.
5º)- A satisfação de ver uma crônica feita, a qual depois de pronta nem mais volto a ler.
6º)- A tentativa de ver, talvez (mas esta é remotíssima) um livro impresso em capítulos. Dificilmente daria conta de uma coisa assim.
7º)- O prazer de saber que vocês preferencializam o Blog entre muitas matérias.
8º)- Quanto ao mais deixo nas mãos de Deus.
Assim é este meu presente de Natal dado por vocês.
Este o maravilhoso presente que me deram.
De coração os agradeço a todos e gostaria de conhecê-los um a um para abraçá-los.
J. R. M. Garcia.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

=AULA GENIAL=

-PEÇA TEATRAL  “Le Diable Rouge” de Antoine Rault-
(QUALQUER SEMELHANÇA É MERA COINCIDÊNCIA)

TEMA
Diálogo entre Colbert (Jean-Baptiste Colbert  Ministro de Estado e da economia do Rei Luiz XIV e Cardeal Mazarino,  político francês, ministro de Estado
 CENA  



Luzes de palco acesas, Colbert de pé, Mazarino sentado, ao fundo uma enorme pintura de Luiz XIV

Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar ocontribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço?
Mazarino: - Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas,vai parar à prisão. Mas o Estado é diferente!!! Não se pode mandar oEstado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se? Todos os
Estados o fazem!
Colbert: - Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazarino: - Criando outros.
Colbert: - Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: - Sim, é impossível.
Colbert: - E sobre os ricos?
Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: - Então, como faremos isso ?
Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Ha
uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que
trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que
 devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais
lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes
tiramos. Formam um reservatório inesgotável. (expressão em gritos estentóreos e agora de pé)



 Colbert:- -Quem são esses infelizes Mazarino ?
Mazarino:- Ora Colbert !  A classe média seu burro.






DESCE A NEGRA CORTINA SOB O PALCO E AS LUZES DA PLATÉIA ASCENDEM-SE
Contribuição de 

Marta Hirszberg









J. R. M. Garcia.