segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

= ABSOLVO-ME =

       Hoje é meu aniversário. Faço muitos e muitos anos.
      Será que se eu fosse diferente do que sou, chegaria vivo até aqui?
      Melhor dizendo.
      Se eu fosse redondinho, certinho, um inglês cheio de bom senso, dentro dos trinques, enfrentando a tempo e hora todos meus deveres, com horário certo para dormir, para levantar, cumprindo exatamente todas obrigações regulares, sem nunca errar, sem insônias malditas, tomando refeições nos horários certos, nunca transgredindo eventuais normas e regras, sem ousar “jogadas” no escuro, sem perder, sem ganhar, sem tomar resmas de comprimidos para dormir, para acordar, uma pessoa exemplar e enjoadinha   etc., como estaria agora?
      Ao contrário, fiz muito do que não devia. Fui expulso de dois colégios. Envolvi-me nesta porcaria de golpe de estado de 1964. Fui submetido a inquérito policial militar. Processado civil e criminalmente na Justiça comum.  Tive várias sindicâncias pela OAB. Fui atirado duas vezes em tentativa de furto. Sofri dois infartos. Tive comas induzidas por desastres de trânsito. Sofri. Trabalhei um bocado. Distribui ações judiciais por todo este país.  De meus clientes nunca tive uma única queixa, graças a Deus.
Mas, e se nada disso tivesse acontecido?
   A verdade é que sempre reagi a este ambiente sonolento, paradoxalmente violentíssimo que é esta pátria amada, onde roubam, assassinam 50.000 por ano, exploram, sacaneiam, assaltam, violentam, humilham e o governo, indiferente em todas suas manifestações, explora os viventes desde a hora que nascem até que morrem.
Nunca compactuei com este meio. Desde libertar macacos dependurados em postes até reagir a injustiças gritantes, foi o que fiz. Sempre temi e reagi a este processo de morrer em silêncio.
Se de todo não me absolvo, também de todo não me condeno.
Vivi da maneira que consegui.
Muito agradeço a Deus e Nossa Senhora Aparecida, e aos bons amigos. Dos maus amigos já esqueci.  

J. Roberto.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

= ALMAS GÊMEAS =


Quem não sabe dizer “eu”, nunca conseguirá dizer “você”
É antes necessário conhecer a si mesmo para depois conhecer o outro.
É da natureza humana.
Sem antes aceitarmo-nos, jamais aceitaremos o próximo.
Eu sou eu, enquanto o próximo é ele.
A confusão de pretender alugar o outro para uso próprio, ou aceitar ser alugado, gera muita confusão.
Isso de alma gêmea...
Complicado, sabe?!
No momento em que pretendo existir no outro, alieno-me e termino por ficar fora de mim próprio. E, se alguém pretender viver em mim, a confusão é idêntica.
Não se trata de fazer uma reflexão auto-analítica, nem pensar nossa capacidade intelectual ou nossa estrutura emocional, nossas possibilidades e limitações. Não. Isso de fundir-nos em um só ser é mais que louca fantasia, é o desaparecer de dois para surgir um nada. Uma coisa indizível e inimaginável. Dois somados ficam uma espécie de atonia imprevisível.
A Natureza, via de Deus, criou-nos indivíduos e, como tal, permaneceremos até o final dos tempos.
Almas gêmeas não. Parecidas, talvez.
Tenham ótima semana.
Obrigado pela leitura.
Abraços.  

       J. R. M. Garcia. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

= VOCÊ ESTÁ DEPRIMIDO? =



     A depressão, como estado, não é apenas uma tristeza passageira ou fato que se lhe compara. É, antes e muito mais uma perturbação da saúde mental, o qual leva a uma somatização continuada.
      Centenas podem ser os sintomas, inclusive muitos que se multiplicam uns sobre os outros.
      Apenas alguns exemplos, que alternam de pessoa para pessoa.
      Cansaço físico, tristeza prolongada, sensação de vazio, desinteresse por atividades que gostava antes, vontade freqüente de chorar, auto estima baixa, falta de apetite, ânimo alterado, desolação espiritual, sentimento de desesperança, insônia ou sono excessivo, sono perturbado ou interrompido, dificuldade para concentração, memória fraca, dificuldade para decidi, fadiga, abatimento, pensamento de morte ou suicídio, inquietação, irritabilidade, dores em várias partes do corpo, problemas digestivos, vômitos, mãos frias e úmidas, quedas de cabelo, taquicardias e muitos outros.
      Nenhum destes sintomas, isoladamente, caracteriza um estado de depressão. A soma deles, sim. A repetição constante demonstrando males físicos, sim.
      Pessoa alguma, seja sábia, santa, poderosa, pobre, rica, culta, dinâmica, religiosa, inteligente ou não está sujeita a curto ou longo períodos de depressão.
    Examinando a literatura, cujo registro mais antigo para o Ocidente é a Bíblia, é de se ver que a depressão é tão antiga como o homem. De depressão sofreram David, Jonas, Jeremias, Isaías etc.
   Deste modo, seja ela um bem ou um mau, é permanente da espécie humana. E, talvez, de outras espécies também.
      Conceituá-la e defini-la, foi o que fiz. 
      Viver a depressão e dela conseguir sair, é um mau que aqui não sei como aconselhar. Obviamente o melhor é, se possível, consultar um médico.
      A todos um forte abraço.
      Boa semana.

      J. R. M. Garcia.   

sábado, 18 de janeiro de 2014

= SIGA SEU CORAÇÃO =

APAVORAMENTO 

      Frase vulgar, trivial, banal. Qualquer um pode dizê-la. Afinal, ela quase nada expressa.
      O que manda meu coração?
      !!!!!!!!!!!!!!!!!!
   Lembremo-nos daquele que criou o racionalismo científico, inspirador da lógica científica universal: "O coração tem suas razões, que a própria razão desconhece". (Pascal)
   Se por um aspecto este, que assim analisou os paradigmas imortais da lógica, atribui ao coração, (Id, Ego, Superego e ou Inconsciente) a soma de valores tão misteriosos, cujo enigma torna-o indecifrável, como é possível que a importância destes fatores emocionais , supostamente ocultos, não determine um valor enorme em nossas decisões?
      Eike Batista cavou com muito esforço, inteligência e hábil perspicácia a destruição de anos e anos de hábil esforço de seu pai, Eliezer Batista, na construção da fortuna que herdou. Apesar de todas advertências lógicas sobre o mercado e investimentos ousados ele perseverou e, afinal, destruiu grande parte de seu patrimônio.
    Quem dirá se, de coração mesmo, Eike não queria exatamente isso?
    Exemplos e exemplos poderiam ser aqui elencados dentro destes estranhos comportamentos de pessoas.
     Assim, embora tudo possa dar certo, a pessoa joga um jogo louco contra si mesmo e, ao final, destrói-se destruindo tudo.
      Isso já não aconteceu a você algumas vezes? A mim algumas vezes já.
     E aí está a assertiva do velho Pascal: "O coração tem suas razões, que a própria razão desconhece".
   Ouvir o coração é preciso, mas discordar dele é, também, necessário...se possível.
      Ótimo fim de semana a todos vocês.
      Abraços carinhosos.
      J. R. M. Garcia.
     
     
      
      

      


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

= ASSUNTO APAIXONANTE ? =

NA VIDA, QUE ROSTO SERÁ ESTE ?


"O público é exigente : quer todos os dias um assunto palpitante e novo que o apaixone, que lhe sacuda os nervos, que lhe estimule o apetite."
Olavo Bilac

Certo o poeta, cronista e escritor brasileiro.
Isso era assim em tempos de outrora e o é hoje.
Mas...-sempre o eterno “mas”-.
Mas, qual o “estimulador de apetite” que o cronista tem hoje para “blogar” ?
Hoje, amanhã, ontem e depois de amanhã?
É isso ai ! Difícil, heim?!
Uma pergunta curiosa.
Veja aí.
Será que uma criança, supostamente mentalmente sã, já nos primeiros vagidos demonstra problemas sociais inerentes a in-adaptação ao convívio? Quanto aos instintos desta criança, é preciso que se os entenda dentro do respeito usual que se tem de ter do ser.
Não sei a reposta.
Sinceramente não sei.
Mas se assim o for, teríamos de convir que pessoas existem, já no nascimento, com os sinais do marginal, do santo, do moralmente incorreto, do chamado “mala mentis” incluso em sua alma.
Ao contrário, se obedecermos os preceitos de Abrão Lincoln, (“Todos nascem iguais até o momento de seu nascimento...”), é preciso aceitarmos que, já no berço, os rumos de um ser e de outro vai sendo moldado pelo ambiente que o cerca, de modo a torná-lo de uma forma e de outra.
Feras existem que, criadas sob a égide de paciente e generoso convívio humano, tornam-se dóceis e amáveis animaizinhos domésticos, os quais lhes contrariam até os mais ferozes instintos.
      Um tema para pensar.
     Seria “um assunto palpitante” e “apaixonante”, como o quer Olavo Bilac?
      Tenha uma ótima semana.
      J. R. M. Garcia.

sábado, 11 de janeiro de 2014

= UMA MÍNI PEÇA TEATRAL =

=AULA GENIAL=

-PEÇA TEATRAL  “Le Diable Rouge” de Antoine Rault-
(QUALQUER SEMELHANÇA É MERA COINCIDÊNCIA)

TEMA
Diálogo entre Colbert (Jean-Baptiste Colbert  Ministro de Estado e da economia do Rei Luiz XIV e Cardeal Mazarino,  político francês, ministro de Estado
 CENA  
 


Luzes de palco acesas, Colbert de pé, Mazarino sentado, ao fundo uma enorme pintura de Luiz XIV

Colbert: - Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar ocontribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço?
Mazarino: - Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas,vai parar à prisão. Mas o Estado é diferente!!! Não se pode mandar oEstado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se? Todos os
Estados o fazem!
Colbert: - Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?
Mazarino: - Criando outros.
Colbert: - Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.
Mazarino: - Sim, é impossível.
Colbert: - E sobre os ricos?
Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.
Colbert: - Então, como faremos isso ?
Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Ha
 
uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que
 
trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que
 devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais
 
lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes
 
tiramos. Formam um reservatório inesgotável. (expressão em gritos estentóreos e agora de pé)
 


 Colbert:- -Quem são esses infelizes Mazarino ?
Mazarino:- Ora Colbert !  A classe média seu burro.
 





DESCE A NEGRA CORTINA SOB O PALCO E AS LUZES DA PLATÉIA ASCENDEM-SE

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

= 2.014 SEM NOVIDADES =



      A herança cultural de um povo não é fato que se muda de um dia para outro e, tão pouco, tarefa que possa ser realizada por um líder eventual de plantão, ou uma eleição circunstancial. Creiam-me. Não é assim.
      Para susto geral de todos brasileiros, as praças e ruas deste país encheram de gente o ano passado em marchas de protesto. Por outro lado, Joaquim Barbosa no STF, balançou as bases do judiciário fazendo cumprir a constituição, levando para o complexo penitenciário da Papuda, políticos de renome nacional a cumprir sentença de re-educação. E o voto aberto deu surgimento no plenário de ambas casas, na cassação dos deputados pelos seus pares. Em seguida denuncias espocaram contra políticos em todo país.
      Tudo isso foi um enorme avanço no sentido da evolução democrática. Em ciências jurídicas fala-se mesmo em uma cadeira jurídica própria ao assunto: O Direito de Transição.  
      Mas - será que sempre existe um “mas”? -
“Mas”, a evolução cultural não se dá aos saltos. É lenta. Aos pulos somente se consegue aleijões.  Cultura é, antes de tudo, matéria do inconsciente coletivo. Não pertence a racionalidade, onde nosso cérebro poderia acionar. É o que disse Pascal, o pai do racionalismo: “O coração tem razões que a própria razão não compreende.”
      A cultura pertence ao nosso coração.    Que a isso respondam os proprietários dos hotéis, roubados em toalhas e até cortinas na saída dos hospedes. Os responsáveis pela limpeza de banheiros públicos. Na manutenção de residências de deputados federais, quando não são reeleitos. Dizem que roubam até torneiras, espelhos e vai por ai. E estes são deputados federais, nossos representantes em Brasília.  
      Logo, este ano que se inicia não apresentará grandes novidades.
      Sem paixão. Pode não ser o que merecemos, tão pouco o que desejamos, mas é o que podemos. Não conseguiremos mais do que uma inflação crescente, dissimulada por uma “contabilidade criativa”; o dólar subsidiado subirá um pouquinho; o transporte coletivo será o mesmo; os assassinatos os mesmos 50.000 anuais; o sistema de saúde inoperante; as estradas péssimas; os orçamentos municipais estourados; a União aumentando os ministérios na “compra de votos” com empregos, etc. etc.
      Enfim tudo igual, seja com Dilma ou de outra forma.
      Mas, passado estes períodos que levarão décadas, o Brasil apresentará alguma melhora cultural.
      Contudo o Brasil não é tudo em nossas vidas.
Um excelente 2.014 a todos.
Abraços.
J. R. M. Garcia.