sexta-feira, 30 de maio de 2014

= ÚLTIMO DIA =

AEROPORTO   DE  BELÉM

Hoje acordei cedo. A primeira vez aqui.
Indo embora.
É interessante !
Sempre se me dá uma impressão de última vez.
Talvez os sentimentais achem que é assim mesmo.
Mas penso assim: nunca mais estarei aqui  como a primeira vez que cheguei. Agora tudo já não é novo. O atual é mais antigo, é o visto, é o ido.
E isso já me dá saudades do ontem.
Deve ser um modo pessoal  de sentir!
Nunca mais entrarei nesta cidade como entrei no início, esperando encontrar as pessoas que não conhecia, as ruas, as casas, o hotel. Tudo, enfim. O agora já é ontem. Aquela madrugada já deixou de ser.
É como a percepção anímica do tempo fluindo na ampulheta da vida. Sempre indo, indo, indo...O ontem já não é o imediatamente e, o prontamente, também não será o daqui há pouco. Os sorrisos que eu dei já não me alegrarão como a primeira vez.
Mas me alegra a sublimidade do mundo neste giro permanente, inquieto e que tudo continuará como aqui esteve amanhã  e depois, depois e depois...
Muito estranho tudo isso. Somos uma permanência impermanente. Momentos há que consigo realmente sentir que, de instante a instante, vou mudando em um ir constante, apenas registrando fatos, atos, momentos, instantes, desejos, vontades, esperanças.
Um abraço meus Queridos.
Fiquem sempre com Deus. Somente Ele pode explicar alguma coisa.
J. R. M. Garcia.


terça-feira, 27 de maio de 2014

= CHINELA DE DEDO =


Meu último dia em Belém.
       Hoje bermudão, ônibus, camiseta cavada, cinqüenta reais no bolso, cachimbo, olhando as ruas, parando, vendo lojas, cais, a cidade antiga.
       Nada de balsas. Já paguei minha cota.
     Voltarei depois. Mas não para esta ilha chamada Hilton. Voltarei para um flat, pois ficarei mais tempo.
A embrulhada jurídica aqui exige muita atenção.  Está muito mais difícil de resolver do que eu supunha.
       Mas este não é o assunto desta crônica.
    Quero explicitar aqui, com todas as letras, que Belém é uma cidade amável, doce. Muita chuva, muito calor, mas muito amor também.
  A impressão que tive a princípio, não é real. Fatos circunstanciais e aleatórios deram-me uma impressão equivocada.
  Não sei como se diz dos naturais desta cidade. Se belenzençe, belenenses. Prefiro chamá-los “filhos de Belém”. Será porquê nominaram esta cidade com o nome de onde nasceu Jesus?
A verdade é que exceto áreas específicas e acidentes circunstanciais, todos os naturais daqui -e a maioria é- são singelos, dóceis, amáveis, solícitos.
Realmente o policiamento é mínimo. E certamente o índice de criminalidade deve ser também muito pequeno, pois vi dois guardas apenas e uma viatura da polícia com sirene desligada, rodando serenamente.
    As avenidas são largas, os ônibus circulam com carga pequena, fila mínima nos pontos e a cortesia parece ser da índole deles. Confusão no trânsito é praticamente nenhuma.
       Pois é !
   Agora vou desta imensa linda baia de água doce que contorna esta cidade, para a ameaçadora São Paulo.
       Ah! Um detalhe.
       Na indumentária desta última volta, também de chinela de dedo.
       Uma abraço amigas(os).
       J. R. M. Garcia. 
      


domingo, 25 de maio de 2014

= SOU UMA BESTA =

BAÍA  DO  GUAJARÁ

      Não?
      Confiram.
    Hoje domingo, dia sereno, hotel vazio de modo a deitar dormir, ver filmes, ouvir música, dar uma volta na feirinha da praça, nadar, tomar água de coco. Por aí.  
      Entendi de pensar ao contrário: “Vou às docas...”
      Fui.
   Muito interessante tudo ali. Várias lojas, um mini shopping, restaurantes, um pequeno museu náutico, fotos antigas dependuradas nas paredes. Almocei e fui ver o movimento dos barcos com grandes lanchas que zuniam por ali.
  Pensei: “Estas balsas devem fazer o movimento costeiro da cidade. Saem daqui, param em um bairro e voltam. Achei isso extremamente lógico. Como se fossem ônibus. Sem me informar, (Ah, santa estupidez !), tomei uma delas. E ela foi para baia afora. Sempre distanciando mais da cidade. Cada vez mais longe.
      Informei-me.
      O cidadão, espantado com a pergunta, disse-me:
--Esta balsa vai para Barcarena e Vila dos Cambos.
      Surpreso ainda fiz a estúpida pergunta:
--Como? Isso é outra cidade.
      Resposta seca
--Claro que é? Para que cidade os senhor quer ir?
--Quero ir para Belém.
      O dito cujo olhou-me como se eu fosse um lunático.
--De Belém é de onde você vem. Ôôôô !!!! Exclamou.
      E encarou-me realmente.
--Mas eu queria um barco para Belém, ora.
--Quê isso!  Tá tirano uma na minha cara, chapa?
      Nem tentei explicar. Resolvi mudar de lugar.
      Mais para o meio da imensa baia de Guajará, o barco começou a jogar. Maré enchendo. Sentados 115 e de pé o que Deus permitir. Uma senhora começou a vomitar. Uma outra criança de colo também. Mudei de lugar outra vez.
      E aí tudo piorou. Piorou e muito.
     Começou a chover. A ventar. A balançar aquele barco com uns vinte centímetros acima da borda d’água. Maré enchendo sempre. Todo mundo balançando. De pé alguns. Velocidade oito nós (30 km. por hora mais ou menos).  
      Por Deus, penso eu, chegamos até Barcarena. Uma cidadezinha de vinte mil habitantes.
      Mais quarenta minutos chegamos em Vila Cabanos.
      Fiquei na dúvida se embarcava de volta ou não.
    Desisti desta embarcação e peguei uma outra que vinha da ilha de Marajó. Mais veloz, mas tudo igual e, agora, já era noite. Chuva e vento, a mesma coisa.
     Quando vi as luzes de Belém, quatro horas depois, ao longe.....rezei para minha Padroeira.
      E o pior de tudo ainda não foi isso.
     Foi quando aqui no hotel, contando o quê passei para o  "maitre", ele me disse:
--Doutor. Quê isso! O senhor já não tem mais idade para estas coisas....
      Quase chorei.
      Tenham uma ótima semana.
      J.R.M.Garcia.

       
     
       


         

sexta-feira, 23 de maio de 2014

= BELÉM, SEXTA-FEIRA =

Tarde chuvosa. Cinza. Úmida. Triste. Estilo São Paulo. De longe, aqui do apartamento, vê-se os prédios mais distantes entre nuvens baixas. Lá na rua todos de guarda chuvas passando apressadamente. Fim de tarde, né? Fim   de sexta. Quem não quer ir para casa?
No meu caso não. Tanto faz. Minha casa é sempre onde estou.
Lembro de outras tardes como esta em Goiás Velho, hotel de fronte o cemitério, demandando grileiros. Da sacada a gente via os enterros e eu lá parado esperando, esperando...dias e dias. Esperando quem? Ninguém, ora.
Recordo-me também de tardes assim na fazenda, chovendo muito e eu lá sozinho vendo o córrego da Bateia encher. Aquelas luzinhas fracas da casinha  e água e mais água caindo do céu. Goteiras muitas. Ir para onde? Para lugar nenhum. E o pior é que não via nem um único pé de capim plantado. Esse desespero corroía-me a alma. Partia meu coração.
E me vejo também no internato, na sacada, olhando o jardim, escurecendo, isolado de todos. Ali, a impressão é de que nunca mais haveria esperança, pois os dias iam e vinham com maior monotonia do que as batidas dos relógios nas paredes daquele imenso prédio.
E, assim, minha vida foi-se. A de todos, de uma ou de outra forma, vão-se também.
De lugar algum para nenhum lugar.
Bom fim de semana.
J. R. M. Garcia.





quinta-feira, 22 de maio de 2014

= LEI DA PALMADAS =


Lembro-me muito bem da surra que levei, ali quando tinha meus 13 anos mais ou menos. Foi de cinta de couro dobrada. Deixou fundos vergões nas costas, mas sem fivela. E o mais sério, é que hoje eu percebo nitidamente que apanhei assim de meu pai, por pura transferência da raiva que ele sentira de minha mãe, para o meu lombo. Isso sem direito a salmoura.
Ela dissera que eu havia dado de presente uma corrente de ouro para prostituas. Nem sei de onde tirou esta ideia maluca, mas se de fato fosse verdade, até penso que teria algum mérito e não a surra doida que levei.
Em compensação, hoje porto uma corrente de aço cirúrgico com escapulário, presente de outra mulher.
Levei outras surras e tabefes também.
Mas isso educou-me. Nunca dei uma única palmada nos dois filhos. E olha que deles já ouvi bons desaforos. Eles estão aí para testemunharem.
Deste modo, não sou a favor de dar palmada alguma nos filhos, mas sim eventuais castigos quando na infância. E, agora, que sou velho, corro o risco de apanhar deles. E olhe que não estou dizendo besteiras.
Logo, isso de “lei de palmadas” não consigo entender não. Nunca as dei em ninguém e em mim não deram palmadas, mas surras com correia de couro cru.
Vê?!
Estou por fora deste assunto. Não entendo é nada disso.
     Tenham um abençoado fim de semana sem palmadas ou pescoções.
      Abraços.
      J. R. M. Garcia.






= ADORAMOS FANTASIAS =


Você sabe, todos sabemos, que é uma mentira deslavada que este país foi “descoberto” por acaso. Foi nada disso não. Os portugueses sabiam há muito tempo da existência de nosso território e prepararam, detalhadamente, a passagem da grande esquadra de Cabral aqui indo para a Índia.
E desde 1.500 -nosso “descobrimento”-  a mentilharia é inaugurada em nossa História oficial.
D. João VIº nunca teve intenção nenhuma de vir para o Brasil. Ele veio aqui fugindo de medo das tropas de Napoleão Bonaparte e, pior, com a intenção de voltar, quando Corso desocupasse Portugal. Lá, com sua fugida, morreram 300.000 súditos seus.
D. Pedro Iº, português, criado no Brasil, realmente proclama a independência por si planejada, mas sem abrir mão da coroa de Portugal. Imperador aqui e Rei lá. Situação no mínimo estranha, bizarra, esdrúxula, confusa.
Mentiras, aleivosias e mais embustes.                           
Vem a República constitucional com D. Pedro IIº e uma monarquia sem tradição, grosseira, inculta, sem erudição, de coronéis, como são os próprios títulos absurdos desta mesma monarquia:...
E, de mentira em mentira, caminhamos até hoje.
E aqui e agora?
Nós, por formação cultural, adoramos a farsa.
Nós fingimos que existem instituições nacionais e que tudo vai bem; que estes movimentos dos sem terra são normais; que a greve dos motoristas dos ônibus é sacanagem; que a greves da polícia civil na maioria dos estados é barriga cheia; que a segurança pública é eficiente; que a maior população carcerária do mundo é a nossa e tudo está certo; que as greves dos professores é malandragem; que os 51.000 assassinatos por ano é normal; que existe um congresso nacional; que o poder executivo, judiciário funcionam; que CPIs existem e trabalham; que as eleições serão verdadeiras; que neste país oposição existe etc. etc.
Nós fingimos acreditar nisso tudo. Os poderes constituídos, por seu lado, disfarçam que eles acreditam na idoneidade de suas funções. E, assim, passamos a representar o imenso teatro de nossa História que até aqui aconteceu. Eles dissimulam e nós dissimulamos.  Somos pouco mais que uma peça mambembe de ópera bufa.
Mas isso que pode transformar em uma tragédia. Ou não? Podemos viver assim mais 500 anos, talvez.
Na verdade adoramos fantasias.
Uma boa semana.
Abraços.
J. R. M. Garcia.




 


terça-feira, 20 de maio de 2014

= VIAGEM NO PARÁ =

ESTRADA NO PARÁ

--Quatro e trinta da manhã está bom ?
Espantado, indago:
--Quatro e trinta horas? Como! Quê isso...São somente cem quilômetros.
Com um gesto largo ele fala.
--Explicar.
Continuo sem entender.
--Nesse horário os bandidos já estão indo dormir. A estrada está livre. Não haverá perigo. A gente vai e volta ainda de dia.
Essa não! Detesto madrugar. Tenho horror a isso. Neurose é a expressão correta. Essa neurose advêm de sete anos madrugando entre o ginásio interno e científico. Certeza que, levantando a esta hora, vou ficar doente.
Mas ainda tenho uma outra pergunta.
--Que diabo é isso de bandidos na pista?
Ele explica e justifica.
--Esta estrada é chamada Do Pó. Mas não é pó de poeira. É pó de cocaína. Nela assaltam por brincadeira, matam, espancam, seqüestram por farra.
Exclamo coçando a cabeça em gesto inconsciente.
--Xiiiiiiiiiiiiiii !!!!!!!!!!!!!
Calado concordo. O certo é ir mesmo de madrugada.
Para encurtar o assunto.
Sabem que hora terminou esta viagenzinha? Das quatro e trinta da manhã as duas horas da madrugada do outro dia.
A estrada ficou cinco horas paralisada por uma manifestação da própria polícia civil e, mais adiante, duas horas pelos índios de uma reserva. Resultado. Sete horas parado.
Mas, aqui uma graça: com este movimento todo não fomos assaltados.
Essa é a vida do brasileiro destas bandas.
Ótima semana.
J.R.M.Garcia






segunda-feira, 19 de maio de 2014

- A IDÍLICA BELÉM -

BELÉM

Três vezes estive em Belém.
A primeira há muitos anos, no tempo em que a finada Varig ainda operava esta rota. A segunda inaugurando o primeiro voo da Gol. E esta agora pela TAM. Sempre a trabalho.
Gosto de Belém. Gente dócil, gentil, amável.
Mas desta vez assustei-me logo no início.
Altas horas, já no aeroporto o sistema de som avisa: “Bem vindo a Belém etc.etc. Tomem os táxis da cooperativa. Os demais poderão estar sujeitos a furtos, seqüestros e demais infortúnios...”. Isso em três idiomas.
No táxi vi que ninguém respeita os semáforos e a coisa é ver quem chega primeiro no cruzamento.
Ao chegar topei com um duelo a pedradas. De um lado um bando de usuários de craque. Do outro os seguranças engravatados revidando do Hilton. A vontade dos “craqueiros” era quebrar vidraças do hotel e atingir veículos.
Surpreso indaguei:
--Toda noite isso aqui é assim?
Com a maior simplicidade do mundo um dos serviçais informou-me:
--Não. Nos sábados e domingos é que a coisa fica assim. Durante a semana é uma ou outra pedrada.
No apartamento colidi com um sistema de fechadura com três ferrolhos.
Talvez o único sistema usado pelo Hilton em todo mundo, que a “segurança” é tanta.
Informei-me e disseram-me apenas: “Já houve precedentes.”
Policiamento na cidade, até agora não vi nenhum. Nenhuma viatura ou guardas.
Recomendaram-me para não andar a pé nas ruas a noite.
--Andar a pé, na melhor das hipóteses, o senhor pode ser assaltado.
Brinquei:
--E na pior?
Resposta seca.
--Ser matado.
E o nome irônico do centenário teatro da cidade é “THEATRO DA PAZ”.
Tenham uma abençoada semana.
J. R. M. Garcia. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

= GRATIDÃO =


A gratidão é o mais sutil dos prazeres e a mais magnífica das virtudes.
A gratidão é, na verdade, uma superação de nosso próprio ego.
A gratidão tem de ser livre, espontânea, sincera. Mas não só. Ela tem de ser um gesto de reconhecimento de que somente aquele, o qual é objeto dela, poderia ser capaz de ter-nos feito o bem que nos prestou.
O mesquinho, por isso mesmo, está impedido desta virtude e deste prazer. Ele quer, mas não supera a si mesmo na dádiva, ainda que reconhecendo o benefício recebido. Casos há que terminam, neste drama, por odiar seu benfeitor.
A gratidão nada tem a dar, além do prazer de ter recebido.
O egoísta reluta em receber, porquê na verdade detesta reconhecer que deve esta consideração que se chama gratidão.
Portanto meu Amigo, receba com humildade, alegria e amor o gesto de gratidão, pois é nele que você ama e se iguala ao próximo.
Um final de semana com muito amor.
Abraço.
J.R.M.Garcia  

  


terça-feira, 13 de maio de 2014

= MACONHA: TEMA POLÊMICO =


ESTE  FUMOU  MACONHA


      Contra vontade alguém se torna viciado?
     Você, por exemplo, viciaria no tabagismo sem razões que o levassem a isso?
     Simples assim?
    Se deste modo não é, necessário raciocinar quais os motivos que levaram a pessoa a ter esta vontade de viciar-se.
Qual esta motivação?       
Serão muitas obviamente.
   Mas principalmente a ansiedade, a angustia e o desespero.
      Vejamos.
 “Os transtornos de ansiedade são doenças relacionadas ao funcionamento do corpo e às experiências de vida. A pessoa pode se sentir ansiosa a maior parte do tempo sem nenhuma razão aparente ou pode ter ansiedade apenas às vezes, mas tão intensamente que se sentirá imobilizada. A sensação de ansiedade pode ser tão desconfortável que, para evitá-la, as pessoas deixam de fazer coisas simples (como usar o elevador) por causa do desconforto que sentem.”
      Logo o viciado, antes de sê-lo, já é um doente. É necessário curar antes sua doença psíquica para depois cuidar-lhe o vício, pois este é necessário a sua vida.
  Nossa época é determinante em gerar, primordialmente, a ansiedade. A  imprevisibilidade, a rapidez da mutação e a solidão é uma constante. Isso transtorna muitos.
Esta circunstância, invariavelmente, cria em nós uma quase permanente ansiedade. Essa permanência de constante ansiedade se converte em uma epidemia mundial. Não diagnosticada formalmente, mas real.
      E daí, passar rapidamente à ansiedade e à angústia, é um pulinho.
      Novamente -perdoem-me- um toque científico.
    “Chamamos de angústia a forte sensação psicológica, caracterizada por bafamento, insegurança, falta de humor, ressentimento e dor. Na moderna psiquiatria é considerada uma doença que pode produzir problemas psicossomáticos

FOLHA DE MACONHA
   Ora, imaginemos um jovem nesta circunstância, espremido entre a pobreza e a desesperança, profundamente ansioso e angustiado, sem assistência médica própria. De que forma você reagiria?
     Obviamente este jovem procura o quê lhe alivia estes sintomas da doença adquirida e, daí, sem assistência médica, vai à maconha na esquina próxima para as mãos de traficantes. Surge, então, uma oferta de vícios piores que a maconha.
    Portanto, exceto grande força de caráter, são estes os caminhos.  
   Assim, sem combater os sintomas da ansiedade e da angústia, a legalização da maconha é uma necessidade momentânea e, junto a isso, a pena de morte para os traficantes de toda ordem. Sem esta penalização é a esbórnia.
     Quiçá passageira esta resolução, mas, por ora, necessária.
   Tenham uma semana de paz, sem ansiedade e angústia, sem solidão, sob as bênçãos de Deus.
      Abraços.
      J. R. M. Garcia.    
     
 E-mail do blogueiro: <martinsegarcia@uol.com.br>





domingo, 11 de maio de 2014

= FOI A ÚLTIMA VEZ =

AEROPORTO   DE   UBERLÂNDIA 

      Dezoito horas. Aeroporto de Uberlândia. A maioria dos guichês abertos, menos um. Exatamente o que eu embarcaria. Companhia aérea, PASSAREDO. Passageiros, alguns para embarque destino São Paulo e outros para o Rio.
       Esperando todos. Meu trecho era curto, um pulinho apenas. Mas os demais...
        Chegou um, dois, três funcionários e adentraram ao recinto interno do guichê, fechando a porta. Mais um e ainda um outro. Todos lá dentro sem sequer um boa noite. Cá fora sem ninguém saber qual era o silêncio.
        De repente vem um comunicado. Todos vôos da Passaredo cancelados. TODOS.
        A noite era de chuva. Ventava um pouco. E ali uma espécie de frustração misturada a uma raiva muda, contida, reprimida.
      E o tempo passa. No guichê ninguém e lá dentro, atrás da porta, cinco funcionários que cá fora não vinham.
      Após uma hora, esta vítima idiota com temperamento impulsivo que vos escreve, atravessa o balcão sobre a balança de pesar bagagens, contorna a longa varanda interna e bate na porta onde estavam os funcionários. Bate uma, duas vezes e a terceira já com muita força. Aparece um empregado e interpelo-o: “Que procedimento esse deixando-nos fora, quando lá dentro parecem estar em convenção.”
      Daí inicia o tímido tumulto. Mais de vinte pessoas resmungavam. Chamaram o segurança e fui convidado a retirar-me.
        Por quê a última vez ?
   Porquê em mais uma ocasião entre as muitas, reivindiquei um pouco de cidadania e respeito e  vi o silêncio dos ordeiros cordeiros ofereceram-se a tosquia. Éramos umas vinte e poucas pessoas. Ninguém, nem um único cidadão, fez coro com minhas reivindicações, quando lá dentro eu estava a bater na porta e forçar uma resposta. Todos mudos. Ali eu poderia apanhar e nenhuma alma misericordiosa haveria de interferir solidarizando comigo em razão de um pedido no interesse comum. Em 64 foi a mesma coisa. Em 68 também. E, por muitas comarcas deste país, não aceitei o escárnio com que desprezavam o profissional. Muitas brigas. Muitas pendengas inúteis, solitárias, idiotas. Já fui atirado, preso, processado, próximo a ser preso muitas vezes. Queremos paz gratuita, sem ônus, sem responsabilidade, sem riscos. Queremos ordem sendo carneiros prontos ao sacrifício.
        Fico de coração dolorido. Mas somos assim mesmo: um povo sem compaixão, sem caridade, com muito desamor embora falando em amor.
        É triste !
        Não compensa, meu amigo. Essa é nossa cultura.
        “Foi a ultima vez”.
        Tenham uma semana feliz.
        J. R. M. Garcia.

       
          

quinta-feira, 8 de maio de 2014

= SIMPLES ASSIM =


El       Ele era pobre; ela era pobre.
   Ambos comuns, prosaicos, infantis, novos, fortes, saudáveis e ela muito bonita.  
     Casaram-se.
   Lua de mel de “borrachudo”. Melhor explicando: de ônibus. Noite de núpcias em uma cidade próxima e, depois, São Paulo por três dias. A seguir Caraguatatuba, Bertioga, Santos.
   Já em Santos ela fez a feira e cozinhou alguma coisinha no apartamento alugado. Sempre cozinhou muito bem.
  Voltaram desta curta estada e ele mergulhou no trabalho. Parece que o dia era pequeno demais. É como se ele fosse morrer trabalhando.  
   Apartamento alugado, de duas unicas peças e uma minúscula cozinha que não tinham geladeira, pois mal podia caber ali uma pessoa. Quatro lances de escada que se subia de um só fôlego. Eram jovens.
    Ele a pé por dois anos. E ela sempre esperando que um dia comprasse um carro.
    E assim passaram os anos.
   Outras residências aconteceram, outros apartamentos, telefones, os filhos nasceram, cresceram, carros outros e o casal até que passou a viver.
  Encontrei outro dia por acaso este casal. Ele com cabeleira branca, passos cansados, meio devastado e ela magra e ainda com alguma pose.
    Felizes?
   Ah, isso não sei. Não perguntei, mas sei que ambos pareciam bem mais seguros, maduros e sóbrios do que as crianças que foram.
   Um fim de semana cheio de alegria para cada um de vocês.
    J. R. M. Garcia.