sexta-feira, 30 de outubro de 2015

CRÔNICA E CONTOS (Borges e Garcia)

ELE ESTAVA SEM CELULAR


A temporada já estava no fim. Após o carnaval e todos já iam embora. As praias, aos poucos, esvaziavam.
Ele, sentado ali fora na varanda, aproveitava a brisa ainda fresca da manhã.
--Antônio. Traga-me o de sempre.
O garçom foi e trouxe a vodca pura com limão. Ele fazia questão de espremer as fatias.
Bebeu um gole curto e ficou a olhar o movimento daqueles que se preparavam para viajar.
Passou mais de hora e ele pediu outra vodca.
Mais uma hora.
E nada.
Ele pensou: “Estranho! Ela disse que viria aqui antes de viajar...”
Distraia-se com os carros que iam pegar estrada. Uns com bicicletas sobre o teto. Outros terrivelmente cheios. Alguns com crianças e pais nervosos tentando alojá-los dentro. Um porta bagagem que não fechava de modo algum. Esquecidos voltavam correndo ao prédio, para um último objeto. Era aquele clima de voltar para casa e pegar no batente.
Ora ele imaginava-se vendo-se ir pescar com os novos amigos, jogando a rede ao mar para ao amanhecer ir busca-la. O movimento seria menor e seria mais tranquilo. Ora pensava nela. Afinal foram dez dias de troca de ideias, de murmúrios, de conversas sobre o que iam descobrindo um do outro. Tudo novidade. O novo é sempre uma esperança.  Era como se aos poucos fossem descobrindo cada reentrância do corpo e da alma. Fora ótimo. Haviam se despedido na noite anterior, depois de uma volta na praia e ela somente com um vestido longo sem nada sob ele. Hoje esperava dizer-lhe como se encontrariam novamente.
De repente a mulher surgiu afobada.
--Antônio, ele apareceu aqui?
Ela perguntou ansiosa.
--Sim, madame. Ficou até agora mesmo.
Com um gesto de raiva ela pediu.
--O mesmo que ele tomou....mas em dobro.
De bermudas ele não usava o celular.
J.  R. M. Garcia.



terça-feira, 27 de outubro de 2015

CRÔNICA E CONTOS (Borges e Garcia) "A ÉTICA DE DEUS"

CRÔNICA E CONTOS (Borges e Garcia)

A ÉTICA DE DEUS

Já escrevi aqui sobre a ética de Deus.
Nada ofensivo, pois apenas faço perguntas e não me arrisco responder. Aliás, aos pregadores certamente cabem as respostas, as quais são muitas. Vão aos milhares. Tem religião no mundo para todos os gostos.
Já aviso antes que acredito em Deus.
O que não entendo é seu comportamento ético.
Explico: há criancinhas que já nascem com doenças terríveis, incuráveis, tornando-se um poço de dor e, por lado outro, nascem pequenos monstros morais como Sarney, Renan, Palocci, Zé Dirceu e tantos outros plenamente sadios, capazes, eficientes para desgovernar um país inteiro, cometendo crimes monstruosos.
Ora, admitindo que Deus seja um ser lúcido, hábil, poderoso, por que permitir a existência de tais fatos? Para desafiar a paciência de nós, pobres mortais? Não creio. Deus não é um brincalhão.
E depois fico imaginando: se Ele permitiu que um misero mortal como Pilatos pregasse seu Filho Amado na cruz, o que Ele não deve deixar que aconteça a outros não tão amados?
Quando olho a imensidão do Universo e nem consigo avaliar sua grandeza, fico a pensar em como ele mantem aqui nesta pequenina terra a nossa existência e a continuidade da vida. Aqui, incontestavelmente, é a lei dos mais aptos. Na escala da vida os mais habilidosos, do verme ao grande elefante, vivemos sob as mesmas condições rígidas da Lei de Darwin. Ou adaptamos ou não viveremos.
É esta a Lei? Isso Darwin provou.
Deste modo somente cabe-me pensar que Deus é uma Lei. Uma lei como a gravidade, que embora não sabendo de sua existência rege soberanamente todo o universo. Subiu, escapou do telhado, estatelou no chão.
Esta a intricada, inexplicável, incompreensível ética de Deus que, por ser tão simples a todos nem parece ser notada.
Uma boa semana a vocês.
Abraços.
J. R. M. Garcia. 
<martinsegarcia@uol.com.br>

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

CRÔNICAS E CONTOS( Borges e Garcia) = COMENTÁRIO DE UM JOVEM AMIGO=



COMENTÁRIO DE UM JOVEM AMIGO RELATANDO A CRÔNICA 
" UM SER SOLITÁRI0 "


ESTE DIA EU CHOREI

“Talvez choraste por um tempo perdido tio! Um tempo que não existe mais no ritmo do mundo de hoje!
Podes também ter chorado ao perceber o fim da ingenuidade no mundo, pois que puros corações já nascem condenados! Condenados à morte pois que não tem como permanecerem puros ao se chocarem com a acachapante quantidade de informação suja, corruptiva e doente que vemos em nossos jornais, tv e internet. Morrem pois perdem aquela ingenuidade bíblica das crianças puras... 
Esse tempo tio, tempo de quem vivia na fazenda, seu tempo... onde se dizia “não senhor”, “sim senhora”, acabou!
Se eu pensar também muito nisso, capaz de começar a chorar aqui e ficar estéril de decepção!
Pois tem que ser muito egoísta pra querer colocar filho nesse mundo hoje, onde dizem, os animais marinhos estarão extintos em 50 anos e a água em menos tempo.
Não se entristeça mais não tio! Tenha sim compaixão e piedade dos que aqui ainda por mais tempo ficarão...E aos que aqui, resignados ficarão, resta apenas o convite em CRÔNICA E CONTOS - " UM SER SOLITÁRI0 "
Agradecido pela colaboração espontânea, envido meus ternos agradecimentos pela colaboração sempre bem vinda.
J. R. M. Garcia.
<martinsegarcia@uol.com.br>

domingo, 25 de outubro de 2015

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia) = QUANDO A TEMPORADA ACABAR =

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia)


QUANDO A TEMPORADA ACABAR



QUANDO A TEMPORADA ACABAR...

QUANDO TODOS FOREM EMBORA...

QUANDO ESTAS RUAS ESTIVEREM VAZIAS...

EU AINDA ANDAREI BUSCANDO VOCÊ.

SEI QUE SOMENTE SOMBRAS EXISTIRÃO...

QUE VOCÊ SE FOI E JAMAIS VOLTARÁ.

NADA MAIS SENÃO UM SONHO NOSSO

E AS ILUSÕES A BRISA DISSIPA.

AINDA ASSIM CONTINUAREI  PENSANDO EM VOCÊ.

É TRISTE ESTE VAZIO.

J. R. M. Garcia

<martinsegarcia@uol.com.br>

sábado, 24 de outubro de 2015

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia) = SEM VERGONHA DE PERGUNTAR =

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia)

SEM VERGONHA DE PERGUNTAR



     Algumas pessoas têm-me como contestador, as vezes.
   Até pode parecer, mas não o sou. Aliás, nem crítico sou. Quisera sê-lo.
  Quando muito sou um “perguntador”. Sou tão só um escrevinhador que, por acaso, é um”blogueiro”.
      Ninguém tem culpa de ser burrinho e perguntar.
     Vejo, por exemplo, um Mojica, ex-venerando "padrão moral e cultural do Uruguay", que eu admirava, tornar-se “Los Hermanos”, sujeito ao comando da Venezuela.
     Pelo amor de Deus! Este homem nunca deveria ter sido solto da cadeia.
     E agora, ridiculamente, ameaça renunciar ao Senado.
     Sabe!?
   Muita coisa acontece na vida da gente por estarmos na moita, quietinho e, então, se torna herói. Isso é comum na política e na vida social.
  Assim, quando vejo estas proposições contraditórias, esdruxulas, tolas quero entender.
     Que um Tupamaro de velho costado, à época necessitasse de Fidel, ainda vá lá. Mas gora, ficar dependurado no saco de um ignorante e truculento motorneiro de bonde, Maduro, é coisa que precisa explicação.
       Por quê?
   Até que ao contrário seja esclarecido, que a Ditadura Venezuelana possa demonstrar o interesse nas coisas uruguayas, tenho que Mojica deve ser novamente preso. Ele que ficou morando tantos anos na prisão, deve gostar da folga. No Senado ele não pode estar. Mas poupe-lhe a cachorrinha de três pernas. Ela é melhor que ele.
      Meus pêsames a este valente Uruguay e que Deus os proteja.
     J. R. M. Garcia
<martinsegarcia@uol.com.br>

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia) -DÚVIDA-

DÚVIDA 


SERÁ QUE LEVAREMOS OS RISOS OU DEIXAREMOS AS LÁGRIMAS?
SERÁ QUE LEVAREMOS AS OFENSAS, DEIXANDO A OUTRA FACE?
SERA QUE LEVAREMOS AS CERTEZAS, MAS AS  DÚVIDAS FICARIAM?
SERÁ QUE LEVAREMOS OS BONS ATOS, AS PALAVRAS DITAS NA CALMARIA, OU DEIXAREMOS A LEMBRANÇA AMARGA DE QUE SÓ OFENDEU?
SERÁ?
E NO DIA DO LEVAR E DEIXAR?
QUEM SABE O QUE PLANTOU, SABE EXATAMENTE O QUE LEVAR, POIS O QUE DEIXAR VAI FICAR ENRAIZADO ENTRE OS SEUS.

(COLABORAÇAO DE VANUZA FERREIRA)

J. R. M. Garcia. 
<martinsegarcia@uol.om.br>

terça-feira, 20 de outubro de 2015

CRÔNICAS E CONTOS (Garcia e Borges) =VOA TEMPO=



VOA TEMPO

Velho corpo devastado, músculos flácidos, olhar desatento, passos trôpegos, carnes bambalhonas, mãos úmidas e frias.
Mas minha vida foi vivida.
Já ouço bem próximo o rumor da torrente que me levará ao escuro calabouço.
Nada fiz. Nada vi. Nada ouvi.
Tudo agora se foi.
Tarde demais para agarrar-me a uma pedra, qualquer voz que me dê alento na espera das quedas finais enquanto consciência houver.
É noite. Nada vejo. Tudo desaparecerá em algumas horas.
Vivi?
Acho que sim. Esta sim foi a página que o Destino me tocou.
Noite quente, feia e sem lua. Todas foram assim. Nada a esperar.
Sempre o mesmo do mesmo.
Que me resta?
Vamos, tempo!
Voa.
Leva-me depressa em sua torrente ...
J. R. M. Garcia.
<martinsegarcia@uol.com.br>

domingo, 18 de outubro de 2015

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia) "CUIDADO COM OS PREGADORES"

CUIDADO   COM   OS   PREGADORES



   Todos aqueles que arriscam aconselhar, fazer preleções, na verdade são responsáveis pelos aconselhados.
  É de uma enorme importância o conselho, mas a carga pesada que cai sobre os ombros dos conselheiros, é realmente grande.
   Nas monarquias antigas os consulentes, intérpretes do futuro em seus horóscopos, corriam grande riscos. Se errassem seriam mortos. Se acertassem seriam equivalentes a semideuses.
 Dizem que Alexandre Magno, quando convidava um conselheiro avisava-o das responsabilidades do cargo e, com isso, cortou a cabeça de muita gente.
    Hoje os livros de autoajuda pululam por todas livrarias sema a menor responsabilidades.
    Na TV então, nem se diga.
   Entre os padres, pastores e outras castas religiosas, é que estas prédicas vicejam sem qualquer repúdio. As pessoas ignorantes não meditam sobre os “pregadores” e eles rodam o mundo  dizendo besteiras.
   Meu filho, supostamente com alguma cultura, acompanhando umas destas pregações de que o ser humano tudo comia sem cozimento em tempos ancestrais, começou a comer feijão cru.    Deu-lhe um entupimento (será que este é o termo certo?) Intestinal, cujos recursos foram difíceis para resolver.
   Mas assim roda o mundo. Quanto mais papel e palanque, mais interpretações e baboseiras são escritas. Milhares de discursos diários pelo mundo afora.
    Cuidado conselheiros de toda ordem, o desespero não vê muros, e dá-se que podem fazer muita gente sofrer por dizer besteiras.
     Uma ótima semana.
     J. R. M.Garcia



sexta-feira, 16 de outubro de 2015

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia) "A NOITE É MINHA"

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia)


A NOITE É MINHA


    Desde criancinha, minha finada saudosa mãe, recordava-se que sempre me dava ao sono muito tarde. É meio que trocava o dia pela noite. Queria ficar acordado até muito tarde.
     E esse defeito, - se o é - , até hoje mantenho-o.
     Durmo tarde e detesto as manhãs.
   Vivi em internato por quatro anos, deitando-me as nove horas e acordando as cinco.
Foi um martírio, mas afinal nem só de doces vive a alma. Fiquei vivo e voltei ao que sempre fui.
  Noitadas de serestas, bebidas, chuva, frio nunca me importaram. A noite foi sempre minha companheira.
    Agora, velho, surge a Internet, esta libertadora dos notívagos.
      Aqui as vezes encontro papo, alguma pesquisa nem sempre bem feita, mas que me enche o passar das horas.
     Outra coisa. Sem ler não durmo. Leio deitado vários livros ao mesmo tempo. Sou eclético no apetite.  Poesia é a única leitura que não me entretém. Minha parca cultura foi feito deitado. A poesia, para mim, há de ser declamada. Do contrário é uma crônica ruim.
      Hoje, as noites para mim que há muito deixei a mocidade, é proibida. Fico aqui quietinho pensando crônicas, conversando com vocês. Recordo as veze dias bons, outros maus. As vezes rezo.
    Para você, que tem remorso em dividir sua noite com a vigília, ligue-se a esta minha confissão e sinta-se livre.
       Um ótimo fim de semana.
       J. R. M.Garcia.
martinsegarcia@uol.com.br

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia) "DOCE INOCÊNCIA"

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia)

DOCE   INOCÊNCIA


MORRIS  WEST

      Esbarrei um dia destes com a autobiografia de Morris West.
      Ele é explícito e, como sempre, um narrador incrível.
     Não sei se para se autobiografar ou o quê lá seja, ele exibe da Itália fatos que chocou-me, como a ruela putrefata da “Rua dos Dois leprosos.”
      Vestindo-se como um miserável pedinte, em vestimentas esfarrapadas e fedorentas, ele adentra a pobreza moral, física e inimaginável da escória de Roma.
     Ele que romanceou a vida de príncipes, se atira agora a ver um outro lado deste mesmo mundo. E se choca. Revolta e diz mesmo que sempre nesta miséria é a vida dos pobres da  cidade encantadora, ao lado de uma desgraça nojenta que se esconde sob seus porões.
      E, embora dizendo-se cristão, revolta-se contra Deus.
Jornalista, ele interroga o Papa sem resposta, com o argumento de que: “Sendo Papa, ele provavelmente abster-se-ia de debater a questão com você.” Foi o que lhe disse um acompanhante.
   E Morris atesta: “Sempre tive uma relação problemática com essa teologia. Tenho por experiência pessoal, que os mais nobres e os piores seres humanos de infinitudes.”
     E mais adiante, categoricamente, assevera: “É por esta razão que julgo que não posso acreditar na ideia fundamentalista de punição eterna, portanto infinita, devido a um ato finito.”
    Mas é preciso lembrar que este homem estava cansado, já há dois anos de sua morte, que se deu em 1999.
    Seus romances estão repletos de ambivalências morais, mostrando que a separação entre o bem e o mal quase nunca é nítida e que às vezes é preciso cometer o mal por um bem maior. 
    Mas é neste seu último livro autobiográfico que toda verdade vem a tona, sem qual pincelada de deísmo próprio a rondar-lhe a alma.
      Escreveu o livro sob a pressão de terceiros. Talvez não devesse.
      Há muito ele já perdera a glória de sua doce inocência.
      Uma boa semana.
     J. R. M. Garcia. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

FENÔMENO HUMANO

TEILHARD   CHARDIN 











                                                                                                                                                                                                                                                                                    RENÉ DESCARTES 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          .Teilhard de Chardin, autor entre muitas obras de FENÔMENO HUMANO, vulto incomparável das letras científicas, paleontólogo reconhecido em todos campos desta ciência, pesquisador respeitado. A partir da categoria científica da evolução, ele construiu um pensamento filosófico e antropológico que merece destaque nos dias atuais. Esse pensador edificou um pensamento sólido sobre o homem que se pautou na noção de que o processo evolutivo possui um sentido.
                   Nascemos do fogo, da água e da pedra bruta. Nosso corpo - até onde sabemos - formou-se desta matéria grotesca no sentido ao rumo do que somos.
               E conclui FENÔMENO HUMANO em maravilhoso fecho:
“Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana.
“O futuro é mais bonito do que todos os passados.
“A Nova Era se caracteriza por uma elevação, uma expansão e uma renovação. A conquista do espaço é um acontecimento marcante, um compromisso com o nosso mais longínquo passado, uma volta às origens em busca do Homem Celeste, nosso irmão gêmeo.
              Ele não só limita a terra como  fronteira da consciência moral e individual como alteia ao universo a grandeza de seres a mais e além de nosso pequenino planeta, buscando entre outras pedras do cosmo nossa mesma ou outra consciência. 
                    René Descartes, que me perdoe em o Discurso sobre o Método, pois se “ a razão tem razões que a própria razão não compreende” busquemo-la no coração.
                         É preciso ter Fé.
                         Uma ótima semana a todos.
J. R. M. Garcia.


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

=CRÔNICAS E CONTOS= (Borges e Garcia) "SER"



Para Ser, é preciso abandonar de todo a procura de segurança e arriscar-se à vida com ambos braços e um coração frio.

Para Ser, é preciso abraçar o mundo tal qual se entende que ele o seja e não esperar um regresso fácil de Amor ou gratidão;

Para Ser, é preciso aceitar a Dor como condição da existência;

Para Ser, tem de se cortejar a dúvida e a escuridão como preço da sabedoria;

Para Ser, é preciso ter-se uma vontade férrea ante os conflitos internos e externos, sempre apto  a aceitar totalmente e sem desespero, quaisquer consequências da Vida ou da Morte.
J. R. M. Garcia. 







quinta-feira, 8 de outubro de 2015

TODOS SEREMOS TELEPATAS



Talvez! Não sei. Alguns já são.
É um conceito complexo.
Definir esta consideração e trocá-la em miúdos, é um exercício maior do que unicamente de semântica.
Com toda certeza, neste final de semana, perderei leitores para o Blog.
Mas não resisto deixar de especular sobre o pensamento do  padre jesuíta, paleontólogo, teólogo, membro da Academia de  Ciências da Inglaterra, Teilhard de Chardin
O pensamento básico de Chardin é que, assim como há a atmosfera, existe também o mundo das ideias, formado por produtos culturais, pelo espírito, linguagens, teorias e conhecimentos. Seguindo esse pensamento, alimentamos a Noosfera quando pensamos e nos comunicamos.
A partir de então, o conceito de Noosfera foi revisto e, consequentemente, sendo previsto como o próximo degrau evolutivo de nosso mundo, após sua passagem pelas posteriores transformações de "Geosfera", "Biosfera", "Tecnosfera" (temporária e ora em andamento) e, então, Noosfera.
A transição da biosfera de uma ordem inconsciente de instinto para a ordem superconsciente de telepatia, que é uma função da Lei do Tempo e é denominada transição biosfera–noosfera.
A transição biosfera-noosfera é o resultado direto do aumento exponencial de complexidade biogeoquímica e a consequente liberação de “energia livre”, devido à aceleração da transformação termo-químico-nuclear dos elementos no ser humano.
 Seguindo Leis físicas, a explicação para isso seria dada por uma relatividade divergente de velocidade presente entre a matéria e a energia, ou entre o cérebro e a noogênese, (novo)+geogenes).na qual as informações acessadas já estariam dispostas na Noosfera, mesmo que de forma primordial. 
Um exemplo deste fato é a "Cultura Maia" entre outros povos, os quais detinham um conceito sobre o tempo diferente das sociedades ocidentais e dominavam a Matemática e o Mapeamento Astral com perfeição.
Outros exemplos bastante recentes, é que macacos tendo deduzido mercê de seus esforços a lavar frutos no mar, estes, posteriormente, sem qualquer comunicação entre si, pois em ilhas distantes, surgem inexplicavelmente com o mesmo hábito. Darwin quase põe sua obra a perder porque ouro sem o saber a produziu.
Resumindo, - pois um Blog é curto- , hoje o nosso planeta já é considerado para os paleontólogos mais avançados como uma Noosfera.
Todos seremos telepatas. Não sei.  Alguns já são.  
Um bom fim de semana.
J. R. M. Garcia.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

quinta-feira, 2 de outubro de 2014
ANTES DA ELEIÇÃO DE DILMA

É   DILMA   MESMO
(EM 02 DE OUTUBRO DO ANO FINDO ESCRE-
VI STA ESTA CRÔNICA SOBRE A PRESIDENTA)

                   Há muito tempo -e isso faz mais de cinco décadas- Carlos Lacerda, um dos maiores tribunos e jornalistas do país, vaticinando, assim expressou: “Getúlio não pode candidatar-se. Se candidatar-se, não poderá ganhar. Se ganhar não exercerá o mandato.”
        Mas ele candidatou-se. Ganhou as eleições.
         Quanto a exercer, foi muito infeliz. Deu no que deu. Até hoje estamos horrorizados. Mas nada aqui tem a ver com estes fatos.
        Ou tem ?
   Porém temos muitos outros casos análogos, onde a petulância superou a prudência. Jânio Quadros, Collor, Jango, a própria infelicidade da doença que vitimou Tancredo. Isolados pelo Congresso e sem o apoio dos prefeitos, desistiram. O último exaurido pela doença.
     Contudo, esta coisa chamada Brasil, após a gestão de Fernando Henrique por oito anos, somada a deste Lula por mais oito e Dilma, agora, com mais quatro, nada terá aqui o quê administrar. O país está de joelhos. Estamos acabados. Destruídos.
   Saúde, sistema rodoviário, indústria, energia, transporte coletivo público, ausência de segurança, corrupção, poder judiciário inapto, legislativo desmoralizado, empreguismo, dívida externa, PIB abaixo de zero, portos inoperantes, guerrilha urbana entre traficantes e tudo o mais. Fomos arruinados.
  Que se deixem as 65.000 vítimas, os quais serão assassinadas ao longo do ano votarem, enquanto estão vivos; os bolsistas de toda ordem votem também; os industriais dependurados no BNDS e CAIXAS votem; os funcionários nos empregos da UNIÃO votem. Todos...votem. Votem.
    Mas se lembrem do que disse Carlos Lacerda, o maior tribuno que o Brasil teve:

“Getúlio não pode candidatar-se. Se candidatar-se, não poderá ganhar. Se ganhar não exercerá o mandato.”

          Será bom que assim seja?          
          E seria pior, se ao contrário fosse?
  Agora seremos todos sepultados todos juntamente com esta “petezada”, e Dilma saberá muito bem fazer isso -ela e Lula farão isso com exime eficiência.
 Ele, Lula, em um discurso em Santo Amaro, disse: “...a bichinha aprendeu...Sabe fazer tudo.”
Quando então chegarmos ao fim, começaremos tudo de novo, como o nazismo saiu do caos, o Japão da bomba de Hiroxima, a Itália destruída pelo fascismo, renasceu.  Este fadário é o nosso. Que o PT mergulhe em nossas cinzas.
        Daí pode sair algum Brasil novo. Antes não.
        Votemos amigos. É ela mesma. Dilma.
                  Boa eleição.
                  J. R. M. Garcia.
                       
                        


sábado, 3 de outubro de 2015

PEQUENA ODE AO AMOR -(Borges e Garcia)



Se eu beijar, beijarei por amor.
Se eu fugir, fugirei por amor.
Se eu roubar, roubarei por amor.
Se eu trabalhar, trabalharei por amor.
Se eu rezar, rezarei por amor.
Se eu viver, viverei por amor.
Se eu chorar, chorarei por amor.
Se eu enlouquecer, enlouquecerei por amor.
Se eu matar, matarei por amor.
Se eu sumir, sumirei por amor. 

J. R. M. Garcia.



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

CRÔNICA E CONTOS - " UM SER SOLITÁRI0 "(Borges e Garcia)


CRÔNICAS E CONTOS



UM SER SOLITARIO



Um ser solitário.
Quando eu era menino eu não sei se era solitário, mas me lembro de dois fatos verídicos.
Deitado em um berço com beiradas altas, próximo a cama de meu pai e minha mãe, olhando para o teto, vi um raio de luz que descia por entre uma telha e incidia sobre meus olhos. Não havia forro e por ali passava um finíssimo raio de luz. Eu o via e, com as mãos brincava com ele. Ora cruzava-o. Ora tampava-o. Ora acompanhava-o até as telhas. Queria, parece, pegá-lo para mim, o que naturalmente era inútil. Como não sabia falar, a ninguém contei e isso veio-me sempre a memória. Essa é a primeira lembrança do mundo externo.
Depois, bem mais tarde, talvez aos doze anos ou menos ouvi pelo microfone de uma rádio que existia de fronte minha casa a música: “...é o dia dos namorados, toda terra está em flor, só se vê menino e moça de braço dado com seu amor...” Mais, não sei. Quando vi estava chorando. Chorando lágrimas muitas que escorriam pelo rosto.
Por quê ?
Não sei. Fiquei triste e chorei.
Agora, já velho, ao deixar a casa de uma senhora e dirigindo-me ao Viracopos, vi-me perdidamente triste e chorando lágrimas velhas de um velho.
Aí então chorei de verdade. Em uma hora devo ter chorado todas lágrimas que possuía. Quis parar o carro, mas não podia. O voo tinha hora marcada.
Voando de Uberlândia a Brasília e começando a ler o livro Grandes Sertões: Veredas, de Guimarães Rosa, vi-me convulsivamente em lágrimas. Passei vexame. Talvez eu conhecesse aquelas veredas e a linguagem que os personagens (avós, tios, peões) usassem). Joquei o livro fora. Nunca vou lê-lo. Pergunto: sou um ser solitário ?
Para o consumo sou extrovertido, gosto de rir e faço piadas de mim mesmo e sorrio das que me fazem.
E então pergunto, meu querido leitor, estes ataques solitários e infundados de choros. a que se devem?
Gostaria que me explicassem neste nosso cantinho aqui.
Ótimo fim de semana e pensem no meu caso.
Abraços.
J. R.  M. Garcia.


                                                                                




NOSSA SENHORA ESTÁ AQUI. (Borges e Garcia)


Sim.
Sua imagem, ícone, efígie, desenho ou seja lá o que for, ela está aqui. Veio visitar esta cidade por onde passo.
Ela é peregrina e eu, também, de algum modo o sou.
Terei de ir vê-la via em seu desenho iconográfico. É um pequenino gesto. Quase inútil, mas obrigo-me a este insignificante sinal.
Embora sentindo os efeitos da graça de Deus não os entendo, tal qual os estudos acurados de Santo Agostinho, dando-os como incognoscível.
Não irei tocá-la, nem tão pouco passarei longas horas a vê-la com devoção.
Serei rápido.
Serão palavras dirigidas a um ícone emblemático, representativo de um espírito universal que paira aqui e lá, mais além sobre esta terra. De outros mundos não sei. Deste a sinto e, para mim, é quanto é o bastante.
Qualifiquem-me como quiserem: supersticioso, crendeiro, tolo ou bobo. Pouco importa. Eu lá irei.
Uma boa semana a todos vocês.
J. R. M.  Garcia.