sábado, 24 de setembro de 2016

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia)

BANCO CENTRAL CHINÊS
 
FUJA DOS BANCOS

 
A maior utilidade de um banqueiro seria ele dependurado em um a gancho de açougue nas tripas se seu principal diretor. 
Dia virá em que estas agências tornar-se-ão todas em casa lotéricas e o atendimento pessoal será inútil. 
Aliás, caminha para isso. 
Quanto ao investimento, jamais um banco gerou um real. 
Todo aquele que usa um banco está fadado ao fim de suas atividades. 
Em princípio seus fundamentos já são desonetos: quem toma um dinheiro em módico preço e o empresta a preços maiores, não é honesto. 
O banco apenas entesoura o dinheiro do preguiçoso. No resto presta serviços. 
E só. Recebe continhas, manda passá-las a outro banco e tudo hoje se refere a estas atividades.
No que o banco ainda pode gerar além de entesourar é que ele pode vender ações de empresas. No mais, nada mais faz, isso porque o chamado fundo de alto risco o resultado é zero e o de pequeno te roubam. 
J. R. M. Garcia.

 













segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CRÔNICAS E CONTOS (Gervásio e Garcia) =SONHO PROFUNDO=

CRÔNICAS E CONTOS (Gervásio e Garcia)


 SONHO PROFUNDO
 
Dormi.
Quando acordei estava em um deserto imenso. Somente areia por todos os lados a perder de vista. Tão estranho era este deserto, que nem sombra de mim mesmo existia.
Um pouco à frente uma moça com vestes brancas olhava o areal.
Estranho aquilo tudo.
Por quê estava ali?
             Estava consciente, sóbrio, mas nada sentia seja do vento, do calor. Nada.
Se aproximava da moça à frente, ela se afastava também.
Logo, eu estava absolutamente só.
Morto eu não estava, pois a moça estava ali.  
Ocorreu-me estas perguntas.

“Isto é solidão, estar consigo mesmo?
Solidão só quando o si mesmo é um deserto?
Devo fazer do deserto um  jardim?
Devo povoar um país deserto?
Devo abrir o jardim encantado do deserto?”

Carl Jung.

Pensei:     
Ah ! Entendi...”
            Estava na companhia de minha alma.Tenho tido, de algum tempo para cá, a impressão de que poucos de nós temos a oportunidade e sobre tudo a coragem e, talvez, mais: a loucura de estarmos com nossa própria alma.
         E, à medida que avanço no pouquinho que consigo, assusto-me.



Tenho às vezes a amarga ciência de que, ao adiantar tenho de recuar, uma vez que parece tal qual um vasilhame, onde a utilidade está exatamente no espaço vazio em seu interior.
Talvez a alma seja útil porque ela é exatamente isso, um vácuo também. É, possivelmente, na areia do deserto onde a vida é gravada em letras cuja cor somente Deus saiba.
Mas não estou certo disso.
Enfim, acordei do sonho. Não estava morto, ainda.  

J. R. M. Garcia.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia) = CONVICÇÃO OU NÃO?=


CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia) 

CONVICÇÃO  OU  NÃO ?
 
  1.  

Ao apresentar em gráfico e com detalhes, do esquema de corrupção na Petrobras, o promotor Cassio Conserino afirmou que tinha convicção na referida denúncia que ora procedia. 
Isso, esta assertiva de que "tinha convicção", foi um alarido geral para a mídia incauta e um jantar lauto para os petistas.
Por que o susto?
De onde vem esta bobagem de uma mídia inculta e de um partido de má fé, o qual vai desaparecendo do cenário nacional, mergulhado na lama por si mesmo infecta?
Já fui professor de prática forense e, aliás, afora a modéstia, escrevi um livro a este respeito.
O que seria absurdo seria o inverso, ou seja, o próprio denunciante dizer que "não tinha convicção" na denúncia que estava a proceder.
Aí sim seria bastante estranho. Passivo de erro, mas mesmo assim cabível. Denunciar, mesmo sem convicção é possível, mas com convicção é uma condição de todo indispensável e necessária. 
Somente para corrigir os tolinhos que assim pensam e de fato, quando Lula diz que são um "bando de jovens" a república de Curitiba, somente pode ser elogios, o já que são uma turma de esforçados trabalhadores na busca de uma verdade que, mesmo com gráfico, é difícil de entender. 

J. R. M. Garcia.
 
 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia) = "DESORAR" =

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia)

"DESORAR"

 

     Não creio que Bento XVI lesse esta crônica. Mas tenho certeza que Papa Francisco adoraria rindo as gargalhadas.
    Isso se tal fato fosse possível, o que é absolutamente in-conjecturável. 
     Bento XVI (coitado !) foi criado dentro de uma biblioteca entre escritos, publicações e pesquisas teológicas de alto nível. 
Já Francisco foi porteiro de boate, onde o "o pau comia" da meia noite ao amanhecer e testemunha disso é Mujica, o ex-presidente do Uruguay que, também, rodava por lá como frequentador dançarino de tango. São amigos até hoje. 
   Mas não procurem esta palavra "desorar" (aquele que aprendeu a não orar) nos dicionários.       
       Ela não existe. Foi feita agora.
       Como fui eu quem a criou posso dar-lhe a interpretação que desejar, não é?
       Fiquei quatro anos entre os jesuítas e fui muito amigo de um deles. Um Santo. Viril, ótimo orador, cumpridor de seus deveres, capaz de autocrítica pesada e, também, para com sua Ordem. Nessa crítica era até corajoso demais. Morreu sem tomar morfina, porque este -acreditava-  fosse seu Destino, apesar de dores lancinantes.
     E ali tentaram fazer de mim um "desoreiro" . As seis da manhã, com frio, sol ou chuva já estava de joelhos na capela orando, ao meio dia outra oração conjunta, (imagine 300 alunos rezando em voz alta), as sete orações finais do dia e depois, o jantar. Nos dias especiais a tal Via Sacra (um horror!) e mais missas e missas, e missas. Procissões...que tristeza...
     Eu tinha uma namoradinha, a primeira de minha vida, que nas missas flertava com ela. Isso aliviava o mesmismo.
      Mas mesmo apesar disso tudo não fizeram-me desistir de Deus. Empenharam, mas não conseguiram.
      Hoje entendi. A oração depende apenas da alma. Na morte e na vida se reza. Basta uma prece muda, um olhar de piedade para um cão, uma certeza e uma dúvida, desde que exista o amor, é uma oração forte a Deus. De alguma forma, a palavra é desnecessária, mas não o sentir, este é essencial e único. Os gestos, os locais são tolices. Entre dois ladrões um clama ao céu e é atendido e outro, sendo seu próprio amado Filho, não lhe é concedida a graça de seu corpo despedaçado em dores, porque estas eram as palavras das Escrituras e estas são os Destinos. 
     Enfim, não conseguiram tirar-me a fé.
     Tenham uma ótima semana.
     J|. R. M. Garcia. 
 

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

= INFÂNCIA FELIZ =


CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia)

INFÂNCIA FELIZ



     É daqui desta esquina de um super-mercado, vendo o pessoal passar, que me surgem idéias. É uma mesa de bar agradável, onde todos são meus amigos e tomo costumeiramente meu café amargo. Pelo menos os pensamentos mais simples. O que faço do Blog é na verdade as vezes o que sinto, vejo, penso, recordo.
     Se ninguém me lê, pouco importa.
     Hoje estava pensando em um presente que meu trouxera de São Paulo, viagem longa e difícil naqueles tempos para os fundões das gerais. Deve ter-lhe custado -já que era pobre- os olhos da cara: vinte e um soldadinhos de chumbo e seus cavalos. Parte infantaria e parte cavalaria. Ao longo da vida perdi-os todos. 
     Na verdade fui um ótimo fazedor de brinquedos. Sabia, - talvez até saiba ainda -   fazer barquinhos com pás giratórias em sua popa com ingredientes de borracha torcida. A medida que elas eram destravadas o barquinho, (uma pequena taboinha), deslanchava sobre a água. Era ótimo fazedor de botões para o jogo de futebol de mesa. Os melhores eram de cascas de côco. Esses eram atacantes, já que deslizavam muito bem sobre a mesa e iam atingir longe, além da defesa, dando "chutes" fantásticos ao gol na pequenina pedra que servia de bola. Já os da defesa eram confeccionados com matéria plástica grandes e pesadões. Tentei fazê-los de metal, mas as regras do jogo não permitiam.
       Fui um bom jogador de botões, mas o campeão mesmo era Talmo. Diziam, por inveja talvez, que ele tinha uma amigo adulto para fazer-lhe as peças.
     Certa feita, de uma madeira macia chamada tamboril, fiz uma canoa que encantou a muitos. Era de quase meio metro e flutuava com seu leve peso muito bem. De quilha alta, eu notara que cortava a água com tranquilidade e sob ela um pequeno lema para dar-lhe equilíbrio.
      Mas fazia mais. Dos carretéis grandes que mamãe jogava fora, aprendi e fazer do par de rodas dentadas, com elástico enrolados, veículos pequenos. A medida que o elástico desenrolava as rodas dentadas iam em marcha lenta. 
       Mas fazer estilingues foi minha especialidade. Para pedras pesadas forquilhas bem abertas. Para obter boa mira, forquilhas estreitas no vão. Para caçar passarinho usava na algibeira dois estilingues: os de forquilha larga e o estreito. Conforme a distância optava-se por um ou outro. As pedras iam em outro embornal. Hoje não mato nem formiga.
       E desta infância feliz fui tirado abruptamente para um internato de padres jesuítas.
         Tudo acabou de um golpe só. Nunca mais fiz brinquedos.
         Mas a vida é mesmo assim. 
      Fui feliz com meus artefatos e minhas guerras de mentirinha.          J. R. M. Garcia. 
     
 
 

sábado, 10 de setembro de 2016

CRÔNICAS E CONTOS = CASAL FELIZ =

CRÔNICA E CONTOS (Borges e Garcia)

CASAL  FELIZ  

 

      Não posso dizer que seja verdade absoluta. Isso não. Mas posso assegurar que aquele casal, o qual descera de uma das torres onde atualmente moro, era feliz.
      Ela com mais de sessenta anos e ele talvez na casa dos setenta. Ambos robustos. Era de se ver que faziam trabalhos físicos. Braços fortes, pernas robustas, sem estrias, passos firmes, caminhavam em direção ao portão de saída. Vestiam de forma simples, mas notava-se a roupa bem cuidada. Atentos viam tudo com muita curiosidade. Não lhes eram comuns as fontes nem os pisos bem lavados.        Evidentemente não faziam parte da "matilha". Estavam ali para tratar de algum assunto de seus interesses.
      Ele a frente dando-lhe a mão e ela seguindo-o com a mesma disposição. 
     Quis indagar-me sobre o que faziam ali, mas a achei a intromissão indevida. E afinal não quis perturbar o grau de unidade que pareciam transmitir. 
     Nada entre eles cabia. Nem filosofia, nem psicologia, nem sociologia e tão pouco essa baboseira de terceira idade, segunda, primeira e vai por aí. O dinheiro devia ser contadinho entre eles e guardados em uma latinha muito limpinha dentro de um guarda roupa. 
      Talvez pouco tivessem, mas tenho certeza, nada lhes faltava.
      Se do céu caísse um raio de luz, o casal mais próprio era para iluminá-los.
      Fiz uma oração para aquele casal feliz.

      J. R. M. Garcia. 

 


terça-feira, 6 de setembro de 2016

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia)






MOMENTO   MÁGICO



No céu muito azul, sem nuvens, a lua se antecipava seguida de Vênus, logo abaixo. Uma brisa fresca, quase fria, passeava solta.
Saindo do prédio a pé, pelos jardins, entre as torres aqui e ali, alguma criança correndo. O suave barulho das fontes, em meio aos seus gritinhos alegres, contraditando o chilrear dos pardais em busca de seus ninhos.
E, de repente, por um toque feiticeiro, ascendem-se as luzes do jardim interno. Ainda nem noite era, mas a infalibilidade humana já dava seu sinal.
Na praça, a um só tempo, as luzes também tomam vida.
Caminhei mais devagar. Quis prender aquele momento.
Este, aqui e agora, era um mundo lindo.
Um mundo essencialmente feito por Deus e melhorado pelo homem.
Pensei em todos que esta noite teriam cada um uma ilusão, uma fantasia ou, as vezes, uma realização. Casais que se esperavam. Alegria solta no ar.
Era a noite que nascia ou o dia que morria.
Alguma relação com a vida?
J. R. M. Garcia.




segunda-feira, 5 de setembro de 2016

CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia)



CRÔNICAS E CONTOS (Borges e Garcia)



CREIAM-ME OU NÃO

A verdade é que aqui perto das torres onde moro, tem um mercado. Cinquenta metros. Não mais. Seu tamanho não é grande, mas tem muitas variedades, guloseimas, três restaurantes, alguns cafés ótimos e, enfim, serve bem a freguesia a que se propõe. Maior seria exagero e menor o tornaria inútil.
Mas, como dizia: "creiam-me ou não..." nunca fui a este mercado somente para passear. Sempre apressado, afobado, ansioso para resolver isso e aquilo.
Hoje fui. Todos conhecem-me lá. Aliás, muitas vezes tomo refeições no local. E interessante que notaram meu ar despreocupado. Uns indagaram: “Passeando, professor?” (O porquê do professor talvez seja a idade que vai avançada.) E na verdade estava zanzando mesmo. Sentei nos bancos, tomei sorvete. Olhei detidamente a grande oferta de bens de consumo. Sobretudo produtos alimentares. Vi vitrinas pequeninas, bem arrumadinhas ao gosto artesanal e nelas notei que havia um colorido de amor. E ele existe. Quem duvidar que aqui venha e confira. Acho que estas pequenas vitrinas mudam de arrumação toda semana. Vou verificar.
E, afinal gostei.
E fiquei surpreso de, pela vez primeira na vida, fui a um estabelecimento apenas para olhar, pensar e imaginar.
Parabéns a todos lojistas do “MERCADÃO”, como o chamam. Que Deus segurem-lhes as mãos na crise que está por vir neste Brasil sem esperança.
J. R. M. Garcia.