domingo, 31 de agosto de 2014

= E SE MARINA MORRESSE ? =

ELA

Não consigo deixar de desajuizar besteiras.
Imaginemos uma coisa estúpida. Burra. Incogitável. Mas afinal, cismar não é crime. E idiotas sempre existiram, entre eles eu.
Ideemos que um Gregório Fortunato qualquer, por iniciativa própria, planejasse não a morte de Carlos Lacerda na rua Tonelero (5 de agosto de 1954) . Mas agora, ao contrário, planejasse a morte de Marina.
Assim deve ter sido a morte de Celso Daniel, de Toninho, prefeito de Campinas e alguns outros.
# $¨¨*&@!*
Renan, Sarney; Genoino; Zé Dirceu; Michel Temer; Lobão; Marcos Valério; Simone Vasconcelos; o ex-sócio do publicitário, Cristiano Paz; o ex-deputado do PTB, Romeu Queiroz; o ex-assessor do PL, Jacinto Lamas; a ex-presidente do Banco Rural, Kátia Rabello;  Ramon Hollerbach; José Roberto Salgado; ex-vice-presidente do Banco Rural, Collor e tantos outros, exultariam. A eleição estava no papo. A princípio esta turma já estaria correndo para o Palácio para abraçar Dilma.
Seria um mês de festas.
A abstenção seria imensa, mas tanto faz. Com 30% dos votos estaria tudo resolvido.
Do exterior viriam cumprimentos efusivos de Cuba, Venezuela, Argentina, Bolivia e até da Rússia, congratulando Dilma pela vitória antecipada sem disputa.
Particularmente acredito que eleitorado algum de Marina saísse às ruas. Ficariam intimidados, vendo o “bolivarianismo” marchar  sobre o Brasil.
Que Deus proteja Marina. Dê-lhe bênçãos especiais, mesmo que ninguém pense nestas besteiras. São muitos os safados agarrados no osso magro deste cadáver que é o Brasil.
Tenham uma semana de orações.
J. R. M. Garcia.
  



sábado, 30 de agosto de 2014

= ELA GANHARÁ, MAS NÃO EXERCERÁ =



  Lacerda dizia de Getúlio: “ELE NÃO PODE CANDIDATAR-SE. SE CANDIDATAR-SE NÃO PODE GANHAR. SE GANHAR NÃO EXERCERÁ”
       E foi profética suas palavras.
       Com Marina esta profecia é a mesma.
       Com Jânio foi idêntico.
  Com Juscelino, uma vitoria certa, não chegou a candidatar-se uma segunda vez.
               São coisa do destino das pessoas.
        Marina, que esteve no aeroporto para embarcar no fatídico voo de Eduardo Campos, veio para São Paulo em voo de carreira depois. Dilma, ao saber do desastre, deve ter perguntado exultante: “Marina morreuuuu...?”
              Marina, tendo cassada sua Rede, não podia candidatar-se.
               Mas candidatou-se.
               "Não pode ganhar."
               Mas se ganhar não exercerá.
            Ela é cintura dura. Não  sabe dançar a música de Renan, de Sarney, de Lobão, de Genoino, de Zé Dirceu, de   Michel Temer, dos mensaleiros em geral. Não vêem Joaquim Barbosa aposentar-se na marra trinta anos antes de seu tempo.
             Mas mesmo ganhando e não exercendo, o que ela espera -suponho- terá dado um enorme passo em busca de nossa nacionalidade perdida.
              Que Deus a proteja.
              Um ótimo fim de semana a todo mundo.
                J. R. M. Garcia.
               

= MARINA. POR QUE NÃO ? =

MARINA 

        Sou da UDN antiga. A UDN da calúnia. A UDN de Lacerda, de Bilac Pinto, de Padre Calazans e outros.
     Quem não sabe, UDN (União Democrata Nacional), foi um partido de brilhantes oradores, magníficos intelectuais, cheios de idéias e ideais. Muitos eram chamados de “direita” à época. Estes termos “direita” e “esquerda” ainda existiam. Agora são “ladrões maiores” e “ladrões menores”. Ninguém cultiva nenhum ideal. É o poder pelo poder.
        Sou proprietário rural.
Logo, minha evolução para o que hoje sou politicamente, foi uma longa, imensa trajetória. Explicar a evolução é demorada e cansativa.
        Hoje não tenho partido.
     Procuro votar em gente. Em perfil de pessoas, seus históricos, seu passado.
         O partido de Marina foi sufocado pelo PT que não deixou o Tribunal registrá-lo. Como alternativa, ela entrou no partido de Eduardo Campos, bem esclarecendo que se comprometeria com ele pragmaticamente e não programaticamente. Foi franca, bem me lembro.
        Por trágica infelicidade, Eduardo Campos vem a morrer em Santos em desastre aéreo.  
          Marina já abandonara o PT há anos em razão da atuação dos mensaleiros, hoje já em faze de liberdade provisória com a ausência de Joaquim Barosa, afastado da Presidência do Tribunal e em aposentadoria forçada.
           Ela teve uma vida difícil, tendo ajudado o pai até os 12 na extração de borracha na mata amazônica, teve mais de dez maleitas, anemia e infestação de lombrigas. Foi salva por freiras de caridade que a acolheram. Alfabetizada aos 12 anos, daí desenvolveu-se mercê de extremo esforço e uma brilhante inteligência.
         O que existe a comprometê-la com esta roubalheira do PT?
        Nada. Nunca teve um escândalo denunciada contra si. Seguiu carreira solo e assim candidatou. É religiosa, tem medo e fé em Deus, segue campanha pobre em aviões de carreiras, nada ostenta.
            Ela não tem compartilhamento com nenhum das antigas raposas da política brasileira como Renan, Sarney, Michel Temer, Lobão, Genoino, Zé Dirceu e malta análoga. Decididamente ela não é dos “hermanos bolivirianos”.
           Assim, fico pensando. É uma pessoa simples, inteligente, não afeita a manobras.
         Ela se ganhando será sacrificada, seu perfil é parecido com isso, mas isso será outra história.
             Pensem nisso.
             Tenham um abençoado final de semana.
                J. R. M. Garcia.
               

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

= CÁ e LÁ =



CÁ: Economia encolhe 0,6% no segundo trimestre, e Brasil entra em recessão”

LÁ: PIB dos EUA cresce 4,2% no 2º tri, acima do esperado."

Aqui temos a gerir nossa Economia

Lá tem esta senhora.

                É preciso que se diga mais alguma coisa?
    Cá e Lá.

J. R. M. Garcia. 
               

                

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

= IDENTIFICO - ME =



      Para o bem ou para o mal, nivelo-me com pessoas simples, sem nenhuma sofisticação visível. E, também, elas se aproximam de mim. É um fato natural. Espontâneo. Nada que me custe qualquer esforço.
       Um exemplo.
       Certa feita, na fazenda, tanto quanto quase uma hora, vinha carregando nos ombros um cacho de bananas e conversando com o empregado. Meu sogro, vendo aquilo, disse-me:
       --E a primeira vez que vejo um empregado de mãos livres e o patrão carregando nos ombros a carga.
       Ele não o fez por maldade. Não. Uma observação aleatória e pertinente.
      Papai, vendo-me a tratar com um escrivão, assim comentou:
     --Você não distingue o meirinho do juiz. Para você são iguais.
     Não é bem assim. Há juízes que nunca respeitei e oficiais cuja consideração e grandeza fizeram-me verter lágrimas. De pessoas blasés ou que assim finjam, tenho horror.
      Causas abandonei por não concordar com as pretensões de bons clientes e lutei por outras que, absolutamente, nem custas tinham como pagar.
      De santidade não tenho nada. Repito. É tudo uma questão de querência e estética.        A lógica vai até onde o desgosto suplanta. Com isso, supostamente, muito perdi e continuarei perdendo.
      E, o contraste de tudo isso, está no fato de que a sofisticação deixa-me deslumbrado.       Um exemplo: a beleza de uma árvore, que estende destemida seus galhos ao céu na busca de sol, de vida, do amor de Deus. Isso me encanta, deixa-me em êxtase. Os campos verdes após a chuva, brincando com o vento ondulando o horizonte. Flores delicadas, à sombra, que tocá-las seria crime hediondo.  Animais silvestres livres. Animais domésticos bem cuidados. Pessoas sem sofisticação, livres de afetação, francas, sem maldade, sem malícia, sem inveja.  
     Talvez me identifique com a Estética em letras maiúscula, em seu alcance filosófico.
     E só.
     Abraços.
     J. R. M. Garcia.  

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

= SEJAMOS REALISTAS =



         Alguém pode acreditar que, ganhando qualquer candidato à presidência, elegendo um novo congresso, novos e antigos governadores, a situação do Brasil se modificará como um passe de mágica?
      Pensar isso é acreditar em conto de fada, em estória da Carochinha. É mais que um delírio. Não há constituição, códigos, leis extravagantes que possam modificar o rumo de nossa sociedade. Nenhum empenho seja de um, de uns ou de outros que possam fazer a mágica de restaurar ou manter a saúde pública; da segurança civil; de um transporte urbano pelo menos indecente; da realização de novas fontes de energia; de nossas estradas; de diminuir o número de 56.000 assassinatos ano; de nossa indústria sucateada; de nossos tribunais sufocados de decisões esperando sentenças; de nossos presídios superlotados; da epidemia de craque nas nossas ruas; de nossas escolas que nada ensinam, até porque são proibidas de reprovar; do endividamento absurdo a que fomos vítimas nestes últimos anos; do dólar subsidiado; do petróleo subsidiado; da energia elétrica abaixo do preço.
      Amigos.
      Nem em quatro, cinco ou dez anos isso será possível.
      Infelizmente essa é a triste realidade. Bom é que preparemo-nos para convivermos com estas mazelas.  
      E, como isso pode acontecer?
     Ah ! Acontecerá com uma mudança cultural profunda, onde cada um tenha senso de civilidade, um pouco de caridade humana, mais amor, de respeito ao próximo, de patriotismo -esta palavra esquecida, senão nos campos de futebol, quando cantam o hino nacional. Uma reforma moral, onde nós possamos ver-nos como iguais em reivindicações e senso de direito em nossas obrigações. Um pensamento ético no sentido de sentir que, prejudicando ao nosso próximo, no fim, prejudicaremos a nós mesmos.
   E se alguns, como os políticos, não procedem assim, todos somos obrigados a fazê-lo.
     Isso leva tempo.  
     Alguém seria capaz de trazer-nos esse sentir?
  Obviamente não e, por isso, haveremos de sofrer até que compreendamos um pouco destes sentimentos que não vem da razão, mas sim de nossa alma mesma.
     Abraços.
     J. R. M. Garcia.



terça-feira, 26 de agosto de 2014

= ERA PROFECIA =

ERA PROFECIA 

 

PUBLICADA  ANTES DO SEPULTAMENTO DE EDUARDO CAMPOS

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

OS DOIS

Indiscutivelmente, fatos aleatórios sempre foram determinantes em decisões históricas em todo mundo.
Foi assim no suicídio de Getúlio Vargas aqui no Brasil; no início da Segunda Guerra mundial em Saravejo, que vitimou arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Austro-Húngarono assassinato de Júlio Cesar em Roma em priscas eras; no assassinato de João Pessoa na  Confeitaria Glória, no Recife, e a revolução de 1930 etc.
E, agora, qual a semelhança da morte estúpida de um jovem candidato cheio de vida às vésperas das eleições?
Marina.
ELA
Carismática, evangélica, uma biografia impoluta e incriticável, com um invejável capital eleitoral em 2010 e teve 27% das intenções de votos no Data Folha de abril, quando nem era candidata.
Agora, com a comoção nacional na vice de seu candidato a presidência, na inspiradora figura do finado Eduardo Campos, no acompanhamento do realmente lamentável e triste funeral, como será a reação do eleitorado?
Será um sepultamento sem discursos. Tolo daquele que o fizer. Nada há a dizer sobre tão pungente tragédia.  O destino pintou com as piores cores a drama de cinco filhos órfãos, uma viúva e mãe inconsolável. A “vingança” deste funesto fadário, emocionalmente, seria os votos sobre o esquife e guiada pelas mãos da vice-candidata.
Que seja para o PSB apenas um ritual de passagem para Marina -e disso os cartolas do partido sabem- mas a força da imagem sóbria e comovedora da Candidata terá uma energia imagética gritante frente às urnas.
Vamos aguardar.
Um ótimo fim de semana a todos vocês.
Abraços. 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

= COMPREENDO O DATENA =


        E vou dizer por quê.
     Quando eu estava em Ribeirão Preto e lá exercia as funções da Superintendência do transporte local, existia um programa de rádio local ouvido pela cidade toda. O nome era “LARGA BRASA”. Era um programa matinal, feito do diálogo entre dois jornalistas, Toni e Morandini. Um faleceu, o outro ainda continua no rádio.
      Levantando cedo  -o que na época era comum-  ia descendo pela avenida que margeia o córrego, a Francisco Junqueira, quando liguei o rádio do carro e fui logo ouvindo Toni falar.
     O que ele dizia de um cidadão era mais para baixaria, do que para uma pessoa decente.
      --“Marginal...Uma pessoa sem trato com a imprensa...Um cretino...Merecia ser morto e dependurado nos fios de troleibus da sua própria administração...”
      Quando ouvi isso apurei os ouvidos.
    Pensei: “Será de quem este sujeito está falando? Surpreso ainda pela quantidade de ofensas.”
      Ele continuou e aos gritos disse:
      --“Esse Garcia deveria sair corrido desta cidade com as calças na mão...
  Não ouvi mais nada. Era eu o objeto de suas ofensas infundadas e criminosas.  Fiquei cego. Correndo fui furando sinais, desviando de veículos e entrei no pátio da rádio arrebentando as correntes do estacionamento. Aos pulos subi as escadas que dava ao estúdio de gravação e, com um pontapé, abri a porta e avancei na garganta do tal Toni, xingando de tudo.  
      A rádio saiu do ar. Para lá dirigiram-se meus companheiros e tudo acabou em polícia e ocorrência com BO.
     O fenômeno que se passou com Datena, por motivos outros, deve ter sido este que se deu comigo. Ele, à época, era jornalista em Ribeirão e deve ainda lembrar-se deste incidente.
      A violenta emoção cega, apesar de alguns juristas dizerem ao contrário.
       Tudo certo Datena!
       Abraços, amigão.
       Obrigado a vocês que me leem.
       Tenham uma ótima semana.
       J. R. M. Garcia.  
  




domingo, 24 de agosto de 2014

- AVIÃO QUASE ATROPELA ÉGUA -

AVIÃO  POUSANDO NA NOITE

       Madrugada alta -quatro horas da manhã- pousando em uma cidade cujo nome não identificarei, o comandante, após ter anunciado os procedimentos de descida, interrompeu-os e voltou para outra altitude.
     Explicou e justificou: “A torre avisa que há um animal nas proximidades da pista. Tomaremos altitude e voltaremos até que sejamos novamente autorizados. Pela atenção, obrigado.”        
      Eu sorri. Mas nem todos sorriram. Nada havia a preocupar.
   Os motores aceleram e, novamente, o trem de pouso foi recolhido, os flaps invertidos e voltamos ali para uns mil metros. A cidade, iluminada, apareceu na janelinha. Linda cidade. Muito bela. Como é maravilhoso ver uma cidade cá do céu!
    É como um bolo de noiva iluminado. As fieiras de luzes margeando as ruas bem delineadas, subindo e descendo morros, cheias de curvas algumas, outras retas, todas passando como um filme colorido. Ilhas de escuridão, onde se situam locais não construídos, trânsito parado ainda, carros isolados trafegando. Uma enorme represa com toda iluminação às margens, mais outra e, agora, a perder de vista aquele universo onde luzes e escuridão se confundem.
        Mas, debaixo da terra, o metrô lotado de gente como ratos, sem diferença de sexo, idades e o que mais não valha, vão a estas horas exprimidos, cansados, exaustos cumprirem sua carga terrível de trabalho para somente retornarem lá pelas vinte e duas horas, com sorte. São mazelas de uma vida condenada ao sofrimento. Nasceram assim e assim morrerão. É como respondeu Filipe da Macedônia ao filho Alexandre, sobre o destino cruel dos escravos: “O crime deles é ter nascido.”
“Pouso autorizado.”
       Soou a voz tranquilizadora do comandante.
     E a imensa aeronave tocou a pista deslizando serena até o fim.
Palmas gerais.
       Tenham uma feliz semana. 
       Abraços.
       J. R. M. Garcia.
EM TEMPO: O infeliz animal era uma égua em alegre pastoreio.
  
                                                                                      

                                                                                        
        







sábado, 23 de agosto de 2014

= TALVEZ UM SONHO =

CAMPOS   ELÍSEOS

           Leia esta crônica ouvindo a linda trilha musical.
Hoje gostaria de escrever uma crônica alegre, sem peso, desprovida de medo, livre de compromissos seja com a verdade, com a realidade, inteiramente comprometida com tudo àquilo que fossemos felizes para sempre, que desse certo, que fossemos inteiramente alegres.  
O brasileiro já está muito machucado, seja com nossos erros, seja com nossas tentativas ou por falta de preparo. Não quero falar disso.
Em algum lugar, seja onde for, dentro da imensidão deste universo, deve existir um local como os Campos Elíseos, paraíso na mitologia grega, um lugar do mundo  governado por Hades. Nos Campos Elísios, o ser humano, rodeado por paisagens verdes e floridas, dançando e se divertindo noite e dia, seria feliz para sempre.
E, se este paraíso estiver dentro de nós mesmos?
Quem sabe estaria aqui, dentro de mim, sozinho, onde a fantasia pudesse existir, blindada pela realidade? E, também, dentro de você. Busquemos não fora de nós, mas dentro de nós mesmos o que nunca encontraríamos além.
Talvez dentro de nosso inconsciente. 
Não estou recomendando uma “viagem em coma sedada”. Não. Estou recomendando um sorriso da inutilidade de nossas preocupações. Um sonho. Um sonho consciente e distante de tudo que é mau.   
Pensem nisso.
Ah, esquecia! Cheguei em Belém.
Um ótimo fim de semana.
Abraços.



sexta-feira, 22 de agosto de 2014

= DESTINO >>>>> BELÉM =


                Sempre a trabalho. Sempre.
      Se fosse caixeiro viajante (profissão hoje extinta), não viajaria tanto.
        Sempre tive para comigo que a causa existe onde os clientes estão. E esta -tendo sido minhas premissas iniciais- respeito-as até hoje.
           Errado? Certo?
           Não tive tempo de conferir.
     Hoje, com a Internet, tudo isso é mais fácil. Petições eletrônicas, processos virtuais, publicação de prazos e vistas sem manusear os feitos. Telefonia ruim, mas com certa dificuldade, fala. Muitos vôos diretos para as capitais. Bons hotéis. Isso sem falar na consulta de jurisprudência e doutrina. Aí, então, é facílimo. Somente erra nisso quem quer.
      Este mundo não é mais o mundo que me iniciei na advocacia.
             Continuamente digo que esta viagem será a última. Mas, até hoje não foi.
             Ruim? Bom?
             Também não sei.          
         Agora, subindo o elevador, tomaram comigo um jovem casal nitidamente de recém-casados. Puros, cândidos, cheios de vida, um tanto tímidos, abarrotados de esperanças e ilusões. Cumprimentei-os: “Que Deus os acompanhe sempre nesta jornada que iniciam!” Eles, um tanto acanhados, agradeceram ambos. Em silêncio, depois, orei para eles uma Ave Maria.  Comovo-me ao ver um início deste modo, com pura boa fé, expectativas, amor, afeto a trombar por este mundo cada vez mais confuso e indigno.
               Não sou um desiludido, mas também não tenho ilusões.
                Até Belém, meus queridos.
                Tenhamos todos um excelente fim de semana.
                J. R. M. Garcia.
               

               

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

= MUITAS MORADAS =

RUA PAISSANDU (Flamengo)

      Sou sem teto, como sabem. Vivi grande parte da vida em colégio interno, repúblicas e hotéis. De residência fixa apenas fiquei no período em que os filhos cresciam. De resto, sou hoje um peregrino. Verdade.
     Estou no Rio e, depois vou para Belém e, de lá, talvez, Passos ou Ituiutaba.
      Aqui, no passado, sede do BNDS e IRGA, tive muitos problemas jurídicos. Vinha muito ao Rio cuidar destes atendimentos.
      Sempre me instalo em um único local.
    No Rio hospedo em um hotel curioso, até certo ponto.
    O prédio foi feito para um mosteiro nas três últimas décadas de 1.800. Aqui sagraram-se freiras, vindo até o início de 1900 onde, parece, foi um quartel da polícia. E, de 70 anos para cá, tornou-se hotel. Modernizaram seu interior. Hoje é tombado o elevador e a fachada pela Prefeitura.
HOTEL PAYSANDU

          Ele fica no principio da rua Paissandu. O nome é o mesmo da rua, mas grafado diferente, PAYSANDU.
   Aqui, em 1.950, hospedou a Seleção do Uruguai, a que marcou aquele único gol famoso, que Barbosa deixou passar e perdemos a Copa do mundo. Nada que valha a derrota fragorosa que sofremos nos últimos jogos desta copa. Sete a um foi demais, não é assim ?
     Uma das características do hotel que sempre é a mesma, são os serviços culinários. Sempre excelentes.
    Mas é tudo igual. A rua bucólica como sempre, muitas árvores e palmeiras plantadas, tendo na esquina com a Senador Feijó o eterno restaurante “Garota do Flamengo”
   Aqui temos o gentil, amável e prestativo Gerente Hermes Polonini.
     Logo, talvez não seja um sem teto tão sem teto assim.  Talvez tenha muitas moradas diferentes.
      Tenham um ótimo fim de semana, amigas(os)
         J. R. M. Garcia.
                       
                       
                       


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

= AÉCIO E DILMA, TREMEI ! =

OS DOIS

Indiscutivelmente, fatos aleatórios sempre foram determinantes em decisões históricas em todo mundo.
Foi assim no suicídio de Getulio Vargas aqui no Brasil; no início da Segunda Guerra mundial em Saravejo, que vitimou o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Austro-Húngaro; no assassinato de Júlio Cesar em Roma em priscas eras; no assassinato de João Pessoa na  Confeitaria Glória, no Recife, e a revolução de 1930 etc.
E, agora, qual a semelhança da morte estúpida de um jovem candidato cheio de vida às vésperas das eleições?
Marina.
ELA
Carismática, evangélica, uma biografia impoluta e incriticável, com um invejável capital eleitoral em 2010 e teve 27% das intenções de votos no Data Folha de abril, quando nem era candidata.
Agora, com a comoção nacional na vice de seu candidato a presidência, na inspiradora figura do finado Eduardo Campos, no acompanhamento do realmente lamentável e triste funeral, como será a reação do eleitorado?
Será um sepultamento sem discursos. Tolo daquele que o fizer. Nada há a dizer sobre tão pungente tragédia.  O destino pintou com as piores cores a drama de cinco filhos órfãos, uma viúva e mãe inconsolável. A “vingança” deste funesto fadário, emocionalmente, seria os votos sobre o esquife e guiada pelas mãos da vice-candidata.
Que seja para o PSB apenas um ritual de passagem para Marina -e disso os cartolas do partido sabem- mas a força da imagem sóbria e comovedora da Candidata terá uma energia imagética gritante frente às urnas.
Vamos aguardar.
Um ótimo fim de semana a todos vocês.
Abraços. 


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

= UM VÁCUO MUITO ÚTIL =





Dormi.
Quando acordei estava em um deserto imenso. Somente areia por todos os lados a perder de vista. Tão estranho era este deserto, que nem sombra de mim mesmo existia.
Um pouco à frente uma moça com vestes brancas olhava o areal.
Estranho aquilo tudo.
Por quê estava ali?
             Estava consciente, sóbrio, mas nada sentia seja do vento, do calor. Nada.
Se aproximava da moça à frente, ela se afastava também.
Logo, eu estava absolutamente só.
Morto eu não estava, pois a moça estava ali.  
Ocorreu-me estas perguntas.

“Isto é solidão, estar consigo mesmo?
Solidão só quando o si mesmo é um deserto?
Devo fazer do deserto um  jardim?
Devo povoar um país deserto?
Devo abrir o jardim encantado do deserto?”

Carl Jung.

Pensei:     
Ah ! Entendi...”
           Estava na companhia de minha alma.Tenho tido, de algum tempo para cá, a impressão de que poucos de nós temos a oportunidade e sobre tudo a coragem e, talvez, mais: a loucura de estarmos com nossa própria alma.
         E, à medida que avanço no pouquinho que consigo, assusto-me.



Tenho às vezes a amarga ciência de que, ao adiantar tenho de recuar, uma vez que parece tal qual um vasilhame, onde a utilidade está exatamente no espaço vazio em seu interior.
Talvez a alma seja útil porque ela é exatamente isso, um vácuo também. É, possivelmente, na areia do deserto onde a vida é gravada em letras cuja cor somente Deus saiba.
Mas não estou certo disso.
Enfim, acordei do sonho. Não estava morto, ainda.  
Tenham uma ótima semana.
J. R. M. Garcia.