domingo, 29 de dezembro de 2013

= ANO NOVO =

ROGAI  POR  NÓS

      Que ele venha!
      Que nos traga saúde, ânimo, fé, esperança, amor.
      Que em nossas festas, folguedos, estejamos felizes, alegres sozinhos ou com nossas famílias.
      Cada um de nós poderá, de alguma forma, fazer melhor ou pior no ano que virá.
      A felicidade está no que nos rodeia. Mas, também, está em nós. Nosso sentir e reagir ao mundo são, também, uma construção nossa. Se sentirmos e reagirmos mau ao que nos cerca, tudo tornar-se-á confuso, estranho, agressivo e o mundo ser-nos-á o pior. A adaptação ao que for possível é parte de nós.  
      O mundo não mudará unicamente porque o calendário clássico e formal determinou.
      Não.
      Teremos Carnaval, dezenas de feriadões, Copa do Mundo, eleições, muito trabalho.
      Mas teremos as costumeiras chuvas a encher-nos os bueiros, os 50.000 assassinatos em nossas ruas, a falta de assistência do Serviço Público, as mortes nas filas, os desabamentos usuais a comover-nos a todos, a dengue, os tiroteios para todo lado, a inflação dissimulada, a eleição de Dilma que acontecerá. De qualquer forma estas mazelas são parte de nossa História. Não há como evitá-las. Temos de vivê-las.
      Que Deus nos dê paciência, muita fé, amor para cumprirmos com alegria e muita felicidade mais este ano que, em algumas horas, nascerá nos festejos de Copacabana.
      Meu agradecimento a todos que me acompanharam ao longo deste ano, um beijo de muito carinho em cada uma e cada um.
      Que Deus nos abençoe a todos.
      Abraços.
      J. R. M. Garcia.
     
            

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

= MENSAGEM DE NATAL =


Hoje levantei mais tarde que o usual. Bem tarde mesmo.
Desci até o restaurante. Estava vazio. Tomei somente um café puro. 
O turno da tarde, no hotel, acabava de trocar.
Uma das atendentes, Wagna, chegou e, alegre, contou seu trajeto até ali.
“Hoje descansei muito demais...”
Olhei e indaguei:
“Verdade?!”
“Sim. Verdade mesmo. Dormi até muito tarde. A casa estava arrumadinha. A pia limpinha...Meu filho sarou da gripe.  Arrumei o quarto, varri a calçada, tomei banho e o ônibus chegou no horário e já estou aqui...Foi rápido, não foi?”
Eu não sabia se fora rápido ou não. Mas, como ela estava dizendo, eu concordei.
Levantei os olhos e olhei em seu rosto.
Ela estava alegre. Disposta. Animada. Feliz. Radiante.
E pensei no noticiário do país.
Aeroportos cheios. Rodoviárias estourando de passageiros. Estradas abarrotadas. Chuva para todo lado. Dois milhões de presentes em Copacabana na virada do ano. Assaltantes dando tiro para todo lado.
Mas ela, a Wagna, estava feliz, muito feliz com o que Deus lhe dera. Era o bastante.
Simples assim.
Fiquem com Deus.
Abraços.
J. R. M. Garcia. 



sábado, 21 de dezembro de 2013

FELIZ    NATAL


            “Faz um tempão que aconteceu isso.”
            Queria começar o texto com esta frase. E contar um fato inspirador ou hilário.        
         Pensei, pensei, imaginei e, até o momento, não consigo recordar uma lenda, um fato, uma idéia que pudesse relatar aqui.
            Vejo-me bloqueado sem “blogar”. Isso, às vezes, acontece.
         Não me encontro nos melhores dias. Nada para sonhar.
            Mas não posso vir aqui e despejar meu estado de espírito sobre o grato, paciente e querido leitor.
    Porém posso ser franco e confessar minha incapacidade. É o que faço.
        Uma noite eu estava na casa de minha mãe. Sempre dormi tarde. Por gosto e hábito não sou madrugador. Lá meus sobrinhos passavam, tardiamente, em noites de feriados e jogavam “um dedinho de prosa fora”. Por isso apelidaram-me “o homem da porta”: aquele que esperava que lá passassem “na porta” pela madrugada.
            Os sobrinhos, um a um, foram chegando à noite. Vinham das ceias na noite de Natal. E íamos “batendo papo”. Até que todos chegaram. Já era mais ou menos cinco horas da manhã.
            Alguém perguntou: “Vamos assistir à missa?”
         Lá fomos todos. Namoradas, namorados, quatro sobrinhos. A pé, todos.  Eram umas cinco quadras. Só descer a rua.
         A missa começou. Minha sobrinha foi ao coro e começou a tocar músicas natalinas.
         Na luz da aurora os vitrais por si “falaram”. Em múltiplas cores, os raios do sol em luz multicolorida iluminavam o banco onde todos estavam sentados, ajoelhados. A música e a luz davam-nos um brilho especial e único.  Éramos todos somente fé, esperança, inocência e amor.
            Foi a última vez que os vi todos juntos.
            “Faz um tempão que isso aconteceu.”
          De coração abraço você querido leitor. Um beijo na fronte de cada um. Vocês me acompanharam com carinho, discordando às vezes e outras de bom grado, todo este ano.
          Tenham um excelente, um feliz Natal com muito amor.
            Deus os abençoe.
             J. R. M. Garcia. 
 
            

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

= DOCE MELHOR IDADE =

VELHICE     FELIZ 

É isso aí!
Muitas vezes lutamos muito para ter o pouco que precisamos e, quando isso acontece, vemo-nos perplexos, atoleimados.
Como assim?
“Simples assim...”, como diz uma amiga minha.
A gente busca serenidade, tranqüilidade pela vida toda. E isso, muitas vezes, não acontece. Dá-se que, se Deus ajudar, ao final vê-se que este estado de quietude é conseguido em algum momento da vida. E, quando ele surge, apavoramo-nos. Procuramos o quê fazer, assumir compromissos, obrigações. Tendo dado a vida inteira no interesse de nossos semelhantes mais próximos, quando não somos mais cobrados, vemo-nos inúteis.
CARRO    DE   BOIS
Um fato real que assisti na fazenda.

Os bois de carro, após anos de trabalho forçado puxando cargas, eram levados para um pequeno pasto a eles reservado próximo a sede. Ali nada mais faziam. Ficavam lá em um tratamento diferenciado a comer iguarias, deitados à sombra, esperando seus últimos dias.
Pasmem!
Ao alvorecer, quando os demais bois eram conduzidos à curralama para serem cangados e puxarem os carros, os outros bois, em sua tranqüilidade de “aposentados”, punham-se a mugir melancolicamente querendo entrar nos currais para serem arreados e trabalharem também.
Os velhos cães de caça também são assim.
Se os animais agem desta forma, o quê acontece com os humanos?
Usualmente fogem.
Escondem-se entre antidepressivos, saudosismo, em curtas incursões alcoólicas, barbitúricos, “turismo médico”, companhias femininas ou masculinas geralmente também deprimidas etc.
Como resolver isso?
A resposta cabe a cada um dentro de suas próprias opções.
Tenham um ótimo fim de semana.
Abraços a todas(os).
J. R. M. Garcia.  



   

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

= UM SONHO PROFUNDO DEMAIS =





Dormi.
Quando acordei estava em um deserto imenso. Somente areia por todos os lados a perder de vista. Tão estranho era este deserto, que nem sombra de mim mesmo existia.
Um pouco à frente uma moça com vestes brancas olhava o areal.
Estranho aquilo tudo.
Por quê estava ali?
             Estava consciente, sóbrio, mas nada sentia seja do vento, do calor. Nada.
Se aproximava da moça à frente, ela se afastava também.
Logo, eu estava absolutamente só.
Morto eu não estava, pois a moça estava ali.  
Ocorreu-me estas perguntas.

“Isto é solidão, estar consigo mesmo?
Solidão só quando o si mesmo é um deserto?
Devo fazer do deserto um  jardim?
Devo povoar um país deserto?
Devo abrir o jardim encantado do deserto?”

Carl Jung.

Pensei:     
Ah ! Entendi...”
            Estava na companhia de minha alma.Tenho tido, de algum tempo para cá, a impressão de que poucos de nós temos a oportunidade e sobre tudo a coragem e, talvez, mais: a loucura de estarmos com nossa própria alma.
         E, à medida que avanço no pouquinho que consigo, assusto-me.



Tenho às vezes a amarga ciência de que, ao adiantar tenho de recuar, uma vez que parece tal qual um vasilhame, onde a utilidade está exatamente no espaço vazio em seu interior.
Talvez a alma seja útil porque ela é exatamente isso, um vácuo também. É, possivelmente, na areia do deserto onde a vida é gravada em letras cuja cor somente Deus saiba.
Mas não estou certo disso.
Enfim, acordei do sonho. Não estava morto, ainda.  
Tenham uma ótima semana na espera do Natal.
J. R. M. Garcia.



           
            

sábado, 14 de dezembro de 2013

= FENÔMENO CRISTÃO =


É extremamente difícil mensurar o prodígio do cristianismo.
Em algum lugar uma pessoa pobre, humilde, simples, mas de um enorme poder moral, nominou-se Deus. Destruíram-no. Mas, de algum modo que não sabemos explicar, este ser “retorna” e Roma inteira junta-se a sua volta, e vai pelo mundo pregando sua palavra, até que o Império todo, tendo sido convertido é, afinal, destruído também. Um paradoxo evidentemente.
Muitos houveram antes e depois de Jesus, que disseram-se filhos de Deus, enviados de Deus, parentes de Deus, filhos de Deus, amigos de Deus e vai por aí.
Mas somente Jesus afirma que ele mesmo é o próprio Deus.
Nem a Igreja Católica, com suas imensas falhas humanas, conseguiu comprometer o nome de Jesus. E, aliás, é exatamente destas falhas que, talvez, aperfeiçoou-se como humana, falível e por isso mesmo torna-se, sem o saber, darwiniana, adaptando-se aos muitos séculos que a precederam.
Fico em dúvida comigo mesmo, se a nominação de “Era Cristã”, errada antropologicamente é, de fato, verdadeiramente correta à luz da História.
É exatamente a partir do nascimento de Jesus, seja lá em que data e ano for, que o mundo idealiza um novo pensamento sobre a concepção de um Deus único, deslocado e distante do ser humano e a um só tempo a ele ligado por vínculo de nascimento.
Na verdade o mistério de um Nazareno, que por tão pouco tempo tramitou pela Galiléia, é indevassável.
Um mistério e um milagre a existência do próprio cristianismo.
Tenham ótimo e merecido fim de semana.
Abraços.

J. R. M. Garcia. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

= A TERRA VAI MUITO BEM =

NOSSO  PLANETA

O planeta Terra, como objeto interplanetário individuado, a girar na terceira órbita do Sol, é relativamente pequeno frente a grandeza de outros corpos celestes. Pequeno mas  forte, resistente, quase indestrutível em seus 4,54 mil milhões  de anos. Ela já foi bola de fogo, coberta de fumaça, de água, de gelo. Já teve rotação mais rápida, mais lenta. Já levou cacetadas que quase a tiraram de órbita e arrancaram-lhe nacos enormes. Teve no mínimo pólos em sete locais diferentes. Tem, também, entre outros meios de defesa, um “pai” que é Saturno, atraindo todas pedras maiores que viriam na sua direção. Saturno é uma espécie de guarda-chuva protetor, que pela Lei da Gravitação Universal, o faz protetor.
Isso estamos falando do planeta terra. 

HOMEM   PRIMITIVO 

E o ser humano?
Bem. Este é tão insignificante na crosta sólida do planeta, que pouco importa. Quase um fungo ou musgo.
Pode o homem destruir a terra?
Claro que não. Jamais. Isso nem em sonho.
Pode explodir quantas bombas atômicas desejar, queimar todo petróleo que aqui existir, vaporizar toda água, destruir toda atmosfera. O planeta ficará aqui como sempre esteve.
Mas, lembremos de um fato importante.
A terra é um organismo único, individuado, homogênio e sistêmico. Se o ser humano não se adaptar às exigências deste ser como tal, segundo suas reclamações, dentro de suas possibilidades, ele será simplesmente alijado da face do planeta. Charles Darwin em   "A Origem das Espécies" analisa isso em minudências.
O que deveríamos buscar, por instinto, é atendermos além dos interesses da espécie os apelos do planeta. 
Antes temos de ser úteis ao planeta e não a nós mesmos. Esta é a Lei.
Um ótimo fim de semana amigos.
Um abraço carinhoso em cada um de vocês.
J. R. M. Garcia.



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

= PERSEGUIDO ELE PREVIU A INTERNET =


MUNDO  VIRTUAL 

Ninguém, nenhum ser humano em qualquer época, nem na ficção científica, conseguiu antever a WEB. Nem de longe.
O máximo que vimos foi o rádio, a luz, a telefonia por fios e a televisão.  
       E esta linguagem? Alguém a anteviu?
      Download, Chat, Crack, Frame, barrasSite, Browser, Netscape, E-mail newsgroups, Dial etc. etc.
     Tenho certeza que ninguém no sentido que hoje tem. 
      Mas houve uma pessoa. Uma única. Terminou presa, censurada, triste e desiludida.

 Teilhard de Chardin
         Teilhard de Chardin (1881-1955).  Um padre jesuíta, paleontólogo, filósofo. Um francês que por suas pesquisas, idéias e livros foi obrigado a aceitar os votos de silêncio e morreu no Vaticano, cercado de todas possíveis cautelas contra suas idéias. 


CAMADAS DO SOLO E DA ATMOSFÉRA

         O paleontólogo Teilhard, observou  as camadas que formaram a terra em sua parte sólida: crosta, manto e núcleo. Ele vai além e verifica as camadas gasosas acima do solo: Troposfera,Estratosfera,Mesosfera,Termosfera, e Exosfera. Esta é a totalidade do planeta como um ser. Daí o Filósofo Teilhard vai além. Aceita o planeta como um ser vivo e em evolução. A terra afinal vive e se transforma. Uma idéia revolucionária em todos os tempos.
       Mas o filósofo afirma muito mais: Termo proposto pelo filósofo francês Teilhard de Chardin  para designar o mundo virtual, imaterial, constituído por informações, representações, conceitos, idéias e mitos, os quais dispõem de relativa autonomia, embora dependam do espírito e da cultura humanos”.
    Pronto.  Teilhard de Chardin estava encurralado. Vislumbrara e afirmara o quê jamais fora afirmado. Descobre e nomina que a terra está a formar “a partir de dentro da matéria, orienta toda força e processo de evolução”. Chamou-a de “Noosfera”. Sobre ele desaba o mundo científico e religioso.

          NOOSFERA

     “Noosfera”, a última camada criada sob a terra onde toda NET existe.

    “No Conceito da Noosfera do filósofo francês Teilhard de Chardin, assim como há a atmosfera, existe também o mundo das idéias, formado por produtos culturais, pelo espírito, linguagens, teorias e conhecimentos. Seguindo esse pensamento, alimentamos a Noosfera quando pensamos e nos comunicamos.”

     Isso aconteceu na segunda década inicial do século passado.

      Tenham uma excelente semana.

      Abraços.

      J. R. M. Garcia.        

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

= SERIA “BULLYING” ? =

Como já disse aqui, fui criado por quatro anos em internato de padres católicos. Mais precisamente, dos treze aos dezessete anos. Jesuítas.
Pois é!
No pátio interno havia amplo jardim entre as edificações. Neste jardim tinham quatro gaiolas grandes, destinadas a viveiro de pássaros, fixadas ao solo.
Essas gaiolas, contudo, destinavam-se a um uso diferente da ocupação com pássaros.
Éramos mais ou menos uns trezentos alunos que moravam no estabelecimento. As quatro gaiolas destinavam-se a detenção de internos sob  efeito de surtos de rebeldia, “danação” e estripulias gerais.

Era assim.

JARDIM INTERNO DO COLÉGIO
No canto à esquerda ao fundo, na direita da foto e na frente as “gaiolas” redondas

Aqueles colegas que faziam “baderna” nas salas de estudos, nos refeitórios, nos dormitórios, nas enormes áreas de recreação, nos pátios de futebol, nos de basquete e vôlei, nas piscinas iam literalmente para as “gaiolas”. Ficavam isolados ali nos jardins, expostos a observação geral dos outros que passavam em fila indo e voltando para o recreio nos corredores. Estavam proibidos do convívio com os demais colegas, da prática de esportes e, enfim, dos folguedos gerais de todos.
Mas o ambiente era alegre, extremamente salubre com amplo jardim à volta.
Isso seria “bullying”, estimulado pelos padres?
Sei lá! Penso que não. Nunca vi sob este ângulo.
Nunca desestimularam que reagíssemos como poderíamos, inclusive com verdadeiras “batalhas campais”, as quais fazíamos sim. Ao contrário, a reação e ação, eram estimuladas pelos dirigentes. Entre jesuítas não se tolerava covardia.     
Afinal tudo era farra, bagunça, brigas de tapas, brincadeiras, sorrisos e muita alegria. As disputas eram mais renhidas no esporte e intelectuais.   
Se aquilo fosse “bullying” era m“castigo”alegre, feliz, cristão e eficiente.  
Gente!
Ótimo fim de semana a todos vocês.
J. R. M. Garcia.  

    

 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

= DIMENSÃO DA VIDA =


Qual a dimensão da vida?
É um minuto?
Um ano?
Um século?
Infinita?
O quê, afinal, é a vida?
A Biologia, até o presente, não chegou à conclusão do que seja “vida”.
Onde a vida começa?
Ninguém sabe.
Onde termina?
O que existe são apenas suposições.
Ah! Mas de voz firme e tonitruante afirmo: “eu vivo”
He! Pode ser. Talvez seja verdade. Talvez, não.
A vida é um processo?
Uma energia que habita aqui seres constituídos desta e daquela maneira?
Ninguém sabe. Presunções, conjecturas, idealizações.
A vida é o presente?
É o passado?
O futuro?
Onde ela está que não a vejo?
De que forma a experiencio?
Como a experimento?
O ter e o ser nela se somam?
A vida é apenas uma força espiritual que encarna um organismo?
Não sei. Talvez nunca saiba.
Ahhhh! Mas afirmo: “eu vivo”.
Abraços a todos os que vivem.

J. R. M. Garcia. 


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

= CERCAR O VÃO LIVRE DO MASP ? =

Sim.
Essa é a intenção da administração pública.
Cercar o vão livre do MASP com grades, evitando assim que ali permaneçam os usuários de craque. Enxotá-los para as sarjetas. Ali não ver-se-ia os corpos caídos, jogados como lixo de nossos jovens irmãos da nacionalidade fracassada.
O que se deve é esconder a nojenta escória do subproduto de nossa civilização.
Ótima idéia esta, alardeada pela mídia e poderes públicos.
Sobre o vão teríamos as obras máximas do esforço de Pietro Maria Bardi e sua esposa Lina Bo Bardi, em anos e anos de suas vidas dedicadas ao grau máximo do acervo magnífico das artes ali expostas.
A idéia é ótima.
Talvez até deveríamos fazer mais. Cercarmos a desgraça deste vício que fulmina nossa juventude, deixando-os lá caídos em permanente exposição até que a funerária viesse transportá-los.
Lindo isso, não?
A miséria exposta à visão desnuda de sociedade. Todos que vissem esta trágica história, viraria o rosto.
Seria maravilhoso esse chocante contraste.  
Tenho certeza que Bardi, franco e realista como era, adoraria este arroste.
Mas e a solução?
Ora, meus amigos, isso é apenas um insignificante detalhe neste país...
Obrigado pela atenção.
J. R. M. Garcia.

Endereço do blogueiro: <martinsegarcia@uol.com.br>
 

  

domingo, 1 de dezembro de 2013

= IA MORRER ALI =

COBRA   JARACUÇU    NADANDO

Quando eu tinha oito ou nove anos, à margem do calabouço de uma roda d’água que girava as roldanas de uma serraria, uma cobra veio rápida sobre a água na minha direção. Era, ainda que criado na roça, a primeira vez que deparei com semelhante cena. Horrível ! Fiquei mudo, branco e encontraram-me lá estático, próximo ao desmaio, quando me acudiram.
Depois, muito depois, próximo a cidade de Passos, em outra fazenda, semelhante trauma voltou a assombrar-me.
Minha filha Agnes, ao entardecer, no lusco fusco do findar do dia, entrou em um riacho para atravessarmos, ela e eu a pé, o poço raso e largo naquele local.
Ela poderia ter, quando muito, onze anos.
Eu ia à frente, escolhendo o caminho com os pés descalços, sob a água.
Ao olhar a correnteza descendente, sobre a água, veio deslizando uma cobra negra de aproximadamente uns quatro metros.
Gritei para a filha desesperado. Foi um urro louco, primitivo como se um neandertal berrasse para sua cria em rota de morte.
Aos saltos ela saiu da água e eu fiquei a mercê da incrível peçonha que, agora, rumava na minha direção.
Três metros, dois, um e eu a esperar seu bote frio. Com um par de botas em uma das mãos, esperava evitar as fauces de sua bocarra.
Fiquei tonto, sem ar, rígido em mim mesmo com a descarga de adrenalina.
Era um cipó que vinha, tal qual uma cobra, deslizando na correnteza em nossa direção. À luz pálida da escuridão, víramos ambos o corpo deslizante da surpreendentemente comprida terrível serpente.
Sem nenhum heroísmo ia morrer ali.
E, foi assim.
J. R. M. Garcia.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

= DE NOITE SURGIRAM =


E o circo chegou.
E chegou à noite. 
Muita alegria. Risos e aquela azáfama de quem mergulha em uma nova aventura.
Gente entrando, saindo, retirando malas dos carros, caminhonetes, trailers. O elevador subindo e descendo para os apartamentos.
E todos parecem que tinham o quê dizer. Inglês, espanhol, italiano cruzavam todos em um idioma não comum, mas, afinal, comum também. De algum modo se entendiam.
E.....
Como?
Queriam comemorar o aniversário de alguém à aquela hora, ainda nem bem instalado estavam.
Jovens, todos.
Queriam ascender velinhas para uma mocinha da Mongólia. Ia fazer 21 anos naquela noite. E, na estrada, não puderam comemorar. Era uma contorcionista.
E sorriam sem motivo. Todos de corpos rígidos, novos, cada um de um país.
Era uma espécie de “aldeamento” em trânsito. Mais ou menos sessenta pessoas alegres, saudáveis.
Quando olhei e vi surpreso, alguns deles entraram na piscina à meia noite.
Onde arrumaram eu não sei. Mas surgiu, às pressas, um bolo enorme e mal feito, vindo não sei de onde às margens da queda d’água.
Em todas as línguas cantaram o “parabéns” para a jovensita mongol, certamente descendente daqueles guerreiros heróicos do tempo de Gengis Khan.
Alegria. Alegria. Alegria.
É desta fé, esperança, alegria injustificada, infundada e simples, pura e clara que é feita a alma do circo em suas andanças infantis, cujos destinos são lhes ditados pela platéia que lhes dão um pouco de amor.   
Tenham ótimo fim de semana.
Um abraço em cada um de vocês.
J. R. M. Garcia.