terça-feira, 13 de setembro de 2022

COROA BRITÂNICA - (CRÔNICAS E CONTOS)

 COROA BRITÂNICA

 

A Coroa Britânica possui aquele que foi o maior diamante do mundo, com 3.106,75 quilates, extraído na África do Sul🇿🇦, em 1905. O diamante bruto foi dividido em várias partes, e a maior gema -  'A Grande Estrela da África' - é o maior diamante lapidado do mundo, adornando o cetro de ouro da rainha Elizabeth II. Com 530 quilates, só essa gema possui valor estimado em 400 milhões de dólares, ou seja, 25% do PIB de diversos países africanos, com milhões de habitantes. Para levar até à Inglaterra esse tesouro africano durante o domínio colonial, rumores falsos diziam que o diamante estava sendo enviado de barco. A estratégia distraiu os outros ladrões e o diamante foi embalado em uma caixa simples e enviado sem segurança pelo correio.

A Grã-Bretanha já invadiu quase 90% dos países do mundo, sendo a nação que mais invadiu outros países ao longo da história, segundo pesquisa feita em quase 200 nações, onde apenas 22 não sofreram ataques britânico. Os dados incluem invasões de exploradores privados e piratas, com o consentimento do governo. Nem todos os países invadidos fizeram parte do Império Britânico. Todavia, no seu auge, este império dominava quase um quarto do mundo (24% das terras, povos e riquezas do planeta). Isso explica porque a Revolução Industrial começou na Inglaterra e porque o inglês tornou-se idioma universal. Elizabeth 2ª era monarca de outras 14 nações, cuja família real possui fortuna de 88 bilhões de dólares, sendo a 5ª mais rica do mundo.

  Fonte: Africa Today

Porém, independente da fortuna da família real e do seu passado, é fato que a presença e o carisma da rainha Elizabeth II, em seus 70 anos de reinado, deixarão saudades em todas as nações do  planeta.

Uma ótima tarde!

J. R. M. Garcia

domingo, 11 de setembro de 2022

JESUS CRISTO

 


JESUS CRISTO

É extremamente difícil mensurar o prodígio do cristianismo.

Em algum lugar uma pessoa pobre, humilde, simples, mas de um enorme poder moral, nominou-se Deus. Destruíram-no. Mas, de algum modo que não sabemos explicar, este ser “retorna” e Roma inteira junta-se a sua volta, e vai pelo mundo pregando sua palavra, até que o Império todo, tendo sido convertido é, afinal, destruído também. Um paradoxo evidentemente.

Muitos houveram antes e depois de Jesus, que disseram-se filhos de Deus, enviados de Deus, parentes de Deus, filhos de Deus, amigos de Deus e vai por aí.

Mas somente Jesus afirma que ele mesmo é o próprio Deus.

Nem a Igreja Católica, com suas imensas falhas humanas, conseguiu comprometer o nome de Jesus. E, aliás, é exatamente destas falhas que, talvez, aperfeiçoou-se como humana, falível e por isso mesmo torna-se, sem o saber, darwiniana, adaptando-se aos muitos séculos que a precederam.

Fico em dúvida comigo mesmo, se a nominação de “Era Cristã”, errada antropologicamente é, de fato, verdadeiramente correta à luz da História.

É exatamente a partir do nascimento de Jesus, seja lá em que data e ano for, que o mundo idealiza um novo pensamento sobre a concepção de um Deus único, deslocado e distante do ser humano e a um só tempo a ele ligado por vínculo de nascimento.

Na verdade o mistério de um Nazareno, que por tão pouco tempo tramitou pela Galiléia, é indevassável.

Um mistério e um milagre a existência do próprio cristianismo.


Tenham ótimo e merecido início de semana.

Abraços.

J. R. M. Garcia.


terça-feira, 6 de setembro de 2022

ÀS VÉSPERAS... (CRÔNICAS E CONTOS)

 


ÀS VÉSPERAS...

Às vésperas...voltar voltar
Quero exaltar este meu país, dizendo do quanto sou grato por ter nascido em seu solo.

Sei que andei por outros tantos territórios e guardo lembranças miúdas no íntimo da alma.

Quando vejo tremular as cores da liberdade, fraternidade, igualdade, sinto estremecerem recordações do ontem. E retorno às ruas que foram palco de gloriosos personagens.

Ouço os clamores de indignação de Victor Hugo, extravasados nas suas peças, a imortalidade de atos perenizados em seus escritos.

Revejo a pompa de Versalhes, torno a ouvir o som do sino real na torre da Notre Dame.

Pareço ouvir os passos de um pedagogo ilustre, dirigindo-se ao Instituto para suas aulas, à livraria, ao que lhe deveria ser em breve a nova residência.

Lembro das pirâmides com seus mistérios, dos que viveram nas terras egípcias e se foram, retornando ao lar, em outro sistema solar.

Lembro de detalhes da Europa, de países que me acolheram, em diferenciadas épocas. Recordo... Recordo...

No entanto, para cooperar na regeneração do Espírito de que tanto necessito, quis a Providência que nascesse nas terras do Cruzeiro. Quantas vezes, nem o sei.

Mas aprendi a amar o lábaro estrelado, o hino que fala de um povo heroico, de um brado retumbante.

Lembro dos dias cheios de ideais de liberdade de Filipe dos Santos, dos inconfidentes.

Recordo de dias sangrentos em que a liberdade era cantada ao som das baionetas.

Tantas vidas destroçadas... Tudo por uma pátria independente.

E, então, duzentos anos depois, me ponho a pensar: Por que meu Brasil amado não se transformou ainda na real Pátria do Evangelho?

Por que persistimos nos digladiando tanto? Por que há fome, gente pelas ruas, sem eira, nem beira?

O que nos falta, país amado, para abraçarmos os ideais da fraternidade e pensarmos mais no próximo do que em nossos cofres?

Agirmos mais a bem geral do que em prol de benesses para nossos amigos, familiares, conhecidos?

Quando, afinal, deixaremos de fazer conchavos, na noite escura da alma e nos decidiremos por te querer verdadeiramente livre?

Livre da indiferença, que não percebe a fome, o frio, a miséria. Miséria que é moral.

Miséria que se retrata em exagerada abundância ao lado da miserabilidade, em enxurradas e enchentes, que poderiam ser evitadas...

Miséria da ignorância que corre solta, quando deveríamos nos preocupar intensamente com a instrução, com a educação.

Ouço Castro Alves a exclamar: Livros, livros à mão cheia.

Quando distribuiremos o livro, que faz o povo pensar?

Quando olharemos para essa nação, que canta o amor da Terra e seremos verdadeiramente unidos?

Brasil amado. Amanhã será o grande dia: Duzentos Anos de Independência.

Eu te desejo realmente livre da ganância, da indiferença.

Desejo que todos teus filhos te amem e te agradeçam a ventura de viver em teu solo generoso, mãe gentil.

Seja nossa a legenda dos versos da Canção da Liberdade:

Já podeis da pátria filhos

Ver contente a mãe gentil;

Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil.

Mal soou na serra ao longe nosso grito varonil;

Nos imensos ombros logo a cabeça ergue o Brasil.
 
Redação do Momento Espírita, com transcrição de versos do
Hino da Independência, de Evaristo da Veiga e do poema
Ao grêmio literário, do livro Espumas flutuantes, de
Castro Alves, ed. Ediouro.
Em 6.9.2022.

 


Uma boa noite a todos!

J. R. M. Garcia

sábado, 3 de setembro de 2022

ESCRIVÃES, OFICIAIS DE JUSTIÇA E PERITOS - (CRÔNICAS E CONTOS)

 



ESCRIVÃES, OFICIAIS DE JUSTIÇA E PERITOS

Escrivães, oficiais de justiça e peritos, assistentes sociais, compõem uma não menos importante parte do corpo chamado “aparelho judiciário”.

O advogado deve ter em mente que lidará, em sua advocacia, não só com juízes e promotores, mas também com os serventuários da justiça.

Não menos importante é a figura destas pessoas ao advogado.

Vou contar um caso acontecido comigo e que, na leitura, você notará a importância de um escrivão.

Um cliente, aliás um grande e importante cliente para mim na época, telefonou-me dizendo que seu filho, quase um adolescente, iria me procurar.

Recebi o rapaz. Ele explicou que tinha uma pequena loja de eletrodomésticos. Disse que tinha feito uma compra de um fornecedor mas que este fornecedor não mandara a mercadoria de acordo com o combinado. Ele havia devolvido a mercadoria.

Então, o fornecedor sacara contra ele duplicatas, no valor da venda não concluída. Não pagas as duplicatas, foram elas protestadas pelo banco.

Agora, conforme a citação que trazia, o fornecedor havia (ainda na lei antiga de falências) pedido a falência de sua loja. O valor recordo-me claramente, já que estávamos no real: R$ 2.800,00.

Tomei a citação dele e li. Bem, o juiz assinalara o prazo para contestar ou purgar a mora e, mais e inauditamente, marcará uma audiência de tentativa de conciliação.

Evidentemente que não existia esta figura na lei de falências antiga. Era uma construção jurisprudencial, até prudente, aonde os juízes dispunham de seu tempo para tentar uma conciliação das partes.

O cliente perguntou o que fazer, se tinha de purgar a mora, termo que aprendera lendo dúzias de vezes seu pedido de falência. Eu não pensei muito. O juiz tinha “mostrado-se” liberal, adotado uma posição conciliatória. Não havia dúvidas. Respondi:

--Fique tranquilo. Vou apresentar a contestação e você não precisa depositar nada. Vamos à audiência de conciliação. SE não tiver acordo, então, depositamos o valor por precaução.

O cliente saiu feliz e eu fiquei contente. Na minha contestação havia argumentado que as duplicatas não estavam acompanhadas dos recibos de entrega das mercadorias. Isto para mim era definitivo.

Veja, leitor, que sempre se pode ser tolo. Como eu, com mais de 30 anos de advocacia então, poderia achar que havia “algo definitivo” em Direito?

Sentei na sala de audiência, depois das preliminares de praxe, instalado pelo juiz de havia acordo, disse que não havia possibilidade de consenso já que meu cliente não recebera as mercadorias e nada devia do valor cobrado, TANTO QUE NÃO HAVIA RECIBO DA ENTREGA DAS MERCADORIAS.

Percebi que o advogado da parte contrário ficou um tanto “murcho” e pensei: ganhei a causa, preparando para um acordo no qual meu cliente desistiria de uma ação indenizatória e a parte contrária do pedido de falência.

Eis então que o juiz vira-se de costas, girando sua cadeira, para a mesa de audiência e, percebo, atônito, que começa a ditar a sentença.

Minha surpresa é de pânico. O juiz estava, simplesmente, decretando a falência de meu cliente. Ali, ao vivo e à cores. Quando compreendi este fato já não ouvi mais nada do que era ditado. Fiquei, por ainda longos 30 minutos, ouvindo a sentença, os pormenores do decreto da falência, com meu cliente olhando-me entre inquisitivo e raivoso.

Bem, mas você deve estar perguntando o que tem este caso com o escrevente.

Aí é que está: pelos termos da lei de empresa, deveria ser lacrada nas 24 horas seguintes ao decreto da falência, com a arrecadação de todos os bens.

Isto seria o fim de meu cliente, independentemente dos recursos que eu pudesse usar, não conseguiria nunca, dentro dos termos escritos da lei, a ruína de meu cliente.

Não pensei muito. Terminada a audiência, em poucas palavras, disse ao meu cliente que iria fazer um recurso naquela mesma noite e iria à São Paulo, distribuir e transmitir pessoalmente. Nem mesmo lhe falei em despesas. Não havia clima para isso. Iria arcar com tudo.

Terminada esta sumária explicação despachei-me do cliente um tanto afobado e corri ao cartório. Procurei o escrivão que chamou-me à sua mesa e expliquei-lhe o que tinha havido. Mais: expliquei-lhe que cumprir aquele decreto a tempo e hora da lei seria o fim do meu cliente. E ainda: disse-lhe que o recurso que iria tentar no tribunal.

Por fim, após tudo isso, pedi que o escrivão retardasse o cumprimento da ordem judicial por 48 horas, tempo que eu achava razoável para tramitar o recurso que iria tentar, com pedido de efeito suspensivo.

Lembro-me como se fosse hoje. O escrivão cofiou sua barba demoradamente (tempo que pareceu-me uma eternidade no estado de ansiedade que eu encontrava-me) e, por fim, disse:

--Doutor, vai a São Paulo sossegado. Nós estamos com muito serviço e demorarei pelo menos três dias para fazer o mandado.

Ufa! Não com o juiz, não com petições, mas com o escrivão, dentro de um “juízo” de bom senso e razoabilidade, eu consegui o prazo que precisava.

Fui ao tribunal, consegui o efeito suspensivo da demanda, a loja não foi lacrada e, por fim, revertida a sentença, decretando-se a improcedência do pedido de falência justamente em virtude de não haver recibo de entrega das mercadorias.

Por este exemplo, verídico, vê-se a importância do relacionamento do advogado com os serventuários da justiça.

Leia o caso completo no livro: "Confissões de um advogado" de minha autoria.

Tenham um ótimo final de semana!

J. R. M. Garcia