segunda-feira, 28 de abril de 2014

= DESNECESSÁRIO DISPENSÁVEL =



       Por óbvio, ainda não cheguei ao fim da vida.
      Isso deixa-me alguma experiência pessoal.
    Não sei em relação aos outros, mas tenho de mim para comigo que, ano a ano, dia a dia, vejo-me em constante rápida mutação.
      Intelectualmente por exemplo, noto que alterei sobre muitas perspectivas, pontos de vista, formas de encarar os acontecimentos e ocorrências aleatórias.
  Emocionalmente nem se diga. Aquilo que antes causava-me mágoa, tristeza, coração partido, alegria, felicidade vejo agora sob ótica diferente. Quanto não entendo nem tento explicar.
     A vaidade diminuiu muito. A busca de consumir quase  desapareceu. A reflexão aumentou. As preocupações limitaram-se à possibilidade de agir.
     Os planos mirabolantes e os ideais diminuíram no tempo. Ou melhor, pela falta de tempo.
      Os remorsos daquilo que não fiz e deveria ter feito, simplesmente é notado apenas como lembranças fugidias de épocas idas.
      A ambição é como se tivesse morrido.
      A busca de acomodação em todos os frontes de luta, é uma verdade que não consigo fugir.
  Tudo isso, porém, sem a busca de nenhum condicionamento. Apenas vai acontecendo ao longo da escada que desce rumo a não existência.
      Ruim isso?
      Não. Parece que apenas vou libertando-me de tudo que possa ser dispensável a esta minha última jornada. Darwin, talvez, explicaria esse caminhar de alterações rumo a novos rumos. Vou, aos poucos, esquecendo e despedindo do desnecessário por não ter mais razão de ser.
      Entendo que este sentir seja uma percepção normal do ser humano, tal qual os animais em seus últimos passos.  
      Amigas(os), aproveitem o feriadão que vem por aí.
      Abraços.

J. M. R. Garcia.

domingo, 27 de abril de 2014

= MUNDO RUIM ? =


Neste mundo tudo parece estar ruim demais.
      Você pensa assim?
      Então vou dizer o mundo que nasci.
Quando nasci, onde nasci, não tinha água encanada. Usávamos cisterna.
Nenhuma rua da cidade era calçada. O asfalto mais próximo ficava em São Paulo, a aproximadamente 600 km.  Não tinha iluminação nas ruas.  
O fogão que tínhamos era o de todo mundo. À lenha. Gravetos eram necessários para acendê-lo toda manhã e, depois, não o deixava mais apagar. A lenha era de aroeira, rachada e em montes no quintal.  
A luz elétrica existia, mas de uma usina movida à motor com uma lampadazinha tão frágil que mais parecia uma pequena vela. Isso até as 21 horas, quando a energia elétrica era desligada e, então, usávamos lamparina a querosene.  
Não existia, nem forno a gás, nem chuveiro elétrico, nem banheiro dentro de casa, nem liquidificador, nem nada movido a eletricidade. Pode ser que estas modernidades já existissem no mundo, mas não ali em Minas Gerais nos grotões.
Lanternas ainda não tinham sido inventadas.
Por óbvio não existia televisão, aparelho de som, telefonia celular e o que mais lá seja.
Telefone, por incrível que possa parecer, já existia, mas poucos e em ligações através de recados que as telefonistas transmitiam umas as outras.
O rádio já existia com pouquíssimas transmissoras e muita interferência.
Automóveis uns poucos “fordinhos” para a cidade toda.
E o mais importante: não existia antibiótico, esta mágica que libertou o mundo da infecção. (“A produção industrial começou nos Estados Unidos (EUA) no início da II Guerra Mundial “.)
Durante muitos anos vivemos deste modo, vendo o progresso ir chegando devagar até que uma cidade de grotões transformou-se na nossa era.
Que tal viver assim, meu amigo?
Tenham uma semana abençoada.
Abraços.

J. R. M. Garcia

sábado, 26 de abril de 2014

= P E R D Ã O =


Isso aqui, neste planeta, é um imenso oceano de erros. Se assim não for, é por que é pior. Somos constituídos de imensos equívocos. A cada hora ofendemos uns e outros. Desejando ou não, dia a dia, cometemos muitas injustiças. E naturalmente também somos ofendidos, mal tratados e vai por aí.
      Certo sim está Jesus, quando prega que devemos perdoar quantas vezes julgarmos que convém fazê-lo.
      Óbvio que o perdão há de vir de nossa mais íntima consciência e, obviamente, não tem de ser irresponsável.  Tanto para o perdoado, quanto àquele que perdoa, há de ter conseqüências.
      De uma forma ou de outra o perdão faz bem. Sem misericórdia o perdão não pode existir. Assim, joga-se no esquecimento tudo aquilo que nos continua ferindo a alma. Deixa-se lá, onde nem o sabemos, todas nossas feridas e nunca mais lembremos. Este é um ato de pura compaixão e, de mais a mais, mitiga nossa dor.  
    Vezes sem conta já não podemos mais perdoar aqueles que nos causaram uma série de danos. Os algozes já morreram. Daí não sei o quê fazer. Remir a reminiscência dos mortos?
      A essa resposta eu não sei, uma vez que a memória pertence a humanidade e não ao indivíduo.
    Penso realmente que com a morte, aqui neste planeta, a vida cessa e aos mortos não devem ser punidos e apenas lembrados. Boas ou ruins, deles guardemos lembranças apenas.
      Tenha um maravilhoso domingo.
      J. R. M. Garcia.
               



= MEU TIO PACÍFICO=

Pacífico Garcia, já lhes apresentei na crônica anterior, foi meu tio avô.
    Vocês sabem como ele era. Não casou, não teve filhos, bebia, fumava, dava tiros, fazia poesias, namorador, muito curioso, inteligente, bem humorado, era oficial de justiça “ad hoc”, pessoa sem teto e que nunca quis teto. Ótimo cavaleiro de longas caminhadas pelo sertão destes brasis.  Morreu dormindo em provecta idade.
     Tenho certeza que se encontrasse Diógenes, o grego, teria críticas a fazer ao mítico filósofo. Pacífico acharia Diógenes muito careta e enquadrado. Se desta forma não visse o velho grego, opinaria que ele era sem humor.
      Aqui pensando. Como veria o Brasil atual, uma pessoa como meu tio?
      Pacífico nunca seria vítima do meio. Ele sempre pautou pela imersão no meio, mas, por dúvida, diria assim: “Somente coloco meu chapéu onde posso alcançar.”
      E, com um em leve balançar de ombros, deixaria o ambiente tal qual estava e seguiria seu destino.
   Se lhe perguntassem qual o seu destino, ele responderia que “nunca teve destino, apenas caminhava".
      Mas iria para onde?
    Para lugar algum. Contentava com a vida em si mesma e com o quê ela lhe desse.
      Isso era o bastante.
      Simples assim.
      Ainda voltaremos a falar aqui de Tio Pacífico.
      Tenham um fim de semana maravilhoso.
      Abraços gerais.
      J. R. M. Garcia.


      

terça-feira, 22 de abril de 2014

= MEU TIO AVÔ =


   Aliás, este foi o único irmão de minha avó que conheci. E, mesmo assim, em dois encontros casuais.
      Uma pessoa curiosa, quando nada.
    Ele gostava de dar tiros. Tinha mania de nominar seus objetos pessoais, trazendo  antropomorfismo as coisas. Seu revolver, por exemplo, chamava-se “nagão” e ele o portava sempre. Este revolver tornou-se mítico.
      Nunca casou, nunca constituiu família, sempre teve muitas namoradas. Viajou, para a época, grandes distâncias. Era briguento e, às vezes, extremamente humilde. Para se ter uma idéia era, de quanto em vez, nomeado oficial de justiça “ad oc” para diligências difíceis, em locais remotos de grandes comarcas. A aquela época o oficial de justiça era confundido com a parte e o cumprimento das diligências era na base do tiro mesmo. Logo, muitas vezes, desempenhava estas desagradáveis e estranhas funções.
      Mas enfim nem sempre ele estivera do lado formal da lei. Pois consta que por vários dias trocou tiros de dentro de uma igreja, que ainda existe, com a polícia por alguns dias. Resistia a um mandato de prisão.   
      Tinha uma letra linda, bordada. Fazia poesias. Havia uma caderneta onde as teve guardadas, mas não me recordo da qualidade delas.
    Era extremamente curioso, de humor fácil.  Ainda vivo, quando a Rússia lançou o primeiro satélite artificial, indagou-me o tamanho do mesmo. Informei-o da dimensão do pequeno artefato. Ele dobrou de rir, achando um estardalhaço que a mídia fazia à semelhante peçazinha de nada útil. Tentei explicar-lhe detalhes, mas já não me dava atenção.
      Viajou ao Rio a cavalo para conhecer a capital federal, em uma comitiva de “cometas”. Assim, esteve sumido meses da localidade longínqua e pequena onde morava. Voltando ficou meses proferindo “conferências” sobre o que por lá vira.
      Morreu só, lúcido, pleno de suas faculdades, em provecta idade, supostamente dormindo, vindo a ser o óbito constatado dois dias depois.
      Estas são as lembranças que tenho de Pacífico Garcia.
      Tenham uma abençoada semana.
      Abraços.
      J. R. M. Garcia.
       
     
       
     

          

segunda-feira, 21 de abril de 2014

= EU MINTO =



Eu minto.
Tu mentes.
Ele mente.
Nós mentimos.
Vós mentis.
Eles mentem.

OBS:
Aquele que diz não mentir, já é um mentiroso. E, se ele não mente para ninguém, é porque mente para si mesmo, o quê é muito pior. 



sexta-feira, 18 de abril de 2014

= CAUSO VERÍDICO INFELIZMENTE =


CESNA  170

         Não me recordo porque assim foi.

       Mas o certo é que lá de Pontes e Lacerda, Mato Grosso, procurarem-me com um enorme problema de uma empresa que se dedicava a colheita de grãos, estocagem e distribuição. Sua dívida ficou imensa. Vários bancos, empresas privadas, tratores financiados, caminhões transcendiam em muito seu patrimônio.

       A viagem era longa. Saia de São Paulo, descia acho que em Uberlândia e pousávamos em Cuiabá. No dia seguinte tomava um monotor fretado e, voando sobre a Serra das Araras, chegávamos, após uma hora e meia de voo, em Pontes e Lacerda. Pista de terra. O avião era um cesna 170.

SERRA  DAS  ARARAS

    Lindo voar sobre a serra em um dia claro. Vendo seus contornos nítidos, em voo baixo, apreciando exatamente as cabeceiras do Pantanal onde fácil era deduzir-se que ali fora uma baia onde o mar adentrara há milênios passados. Disseram-me que no alto das serranias, ainda se encontra conchas marinhas. Nitidamente, nas escarpas destas serras a gente vê, cá do alto, que o mar não desocupou rapidamente o local, mas foi um processo lento do afastar das águas firmando-se falésias agora secas por longos períodos. Desta serra nasce o Pantanal.

       E lá fomos nós.

PONTES  E  LACERDA 

       Uma hora e trinta de voo surge a cidade de Pontes e Lacerda.

          Aterrizamos. Esperavam-me.

       E foi aquela confusão por mais de semanas. Discussão com bancos, credores particulares, arrendamentos descumpridos e uma dívida imensa para a época. Impossível qualquer medida judicial.

       Como a Bolívia ficava próximo pela chamada “estrada do pó” (leia-se estrada da cocaína), aconselhei meus clientes a pegarem seus caminhões, que não eram poucos, carretas, carregá-los todos e em comitiva irem para a Bolívia, enquanto eu fazia ali uma espécie de “muro de arrimo judicial”, até que eles passassem a fronteira para o outro lado.

       E assim, com grande dificuldade em um embarque adrede preparado, eles “vazaram”, como se diz no linguajar chulo da fuga dentro da noite escura pela “estrada do pó”. E nunca mais soube do destino deles.

       Morreram ? Tornaram-se traficantes ? Conseguiram vida nova na Bolívia ?

       Nunca mais vi falar deles.

     Terminado o “muro de arrimo jurídico” tomei outro avião fretado e voltei.

       Agora tudo foi diferente.

PAULISTINHA

     O piloto era de garimpo e de tráfico de tóxicos. Não tinha brevê. O avião era outro. Era um “paulistinha” velho de lona encerada.

       Vi aquilo com medo e perguntei.

--A que altitude este avião vai ?

       O piloto, com cara de ressaca, entre uma baforada e outra respondeu:

--Uns mil e quinhentos metros.

--Mas então passaremos raspando o topo da serra ?

--É. Mas a gente conhece alguns caminhos no meio delas que não precisa ir tão alto.

       Mas...Tremendo o aviãozinho e eu, erguemo-nos.

    E fomos direto para a serra. Dentro de poucos minutos estávamos subindo para pulá-la.

       Uma névoa espessa, densa encobriu-nos toda visão.

   De repente eu dou grito horrível e completo minha explicação, a qual ele já vira.

       No meio da incrível cerração, haviam picos mais altos que o nosso aviãozinho. Teríamos de contorná-los. Mas naquela situação era impossível. Ele perdera a “estrada” de que falara.

--Vamos voltar....Ele completou.

       Mas eu pensava: “Voltar como, no meio daqueles picos que não víamos ?”

     Por fim, em um segundo clareou e abriu o horizonte. Estávamos voltando. O piloto sabia trabalhar em condições adversas com aquele teco-teco.

--Vamos descer aqui e esperar esta neblina ir embora.

       Dei graças a Deus. Aterramos em um frigorifico próximo a uma cidadezinha.

      Desci, peguei minha mala, pedi desculpas ao rapaz e disse que ia arrumar uma condução qualquer lá.

CORISCO 

     Uma hora depois surge no mitigado campo de aviação o gerente do frigorífico que ia passar por cima da Serra das Araras. Deu-me carona. Mas o avião era um corisco e isso já é outra história. Horrível por sinal.

       Outro dia conto.

       Abraços.

       J. R. M. Garcia. 

        


quinta-feira, 17 de abril de 2014

=UM FATO REAL, MAS COMUM=

CARRO  DE   BOIS
Um fato real que assisti várias vezes na fazenda.
            Os bois de carro, após anos de trabalho forçado puxando cargas, eram levados para um pequeno pasto a eles reservado, próximo a sede. Ali nada mais faziam. Ficavam lá em um tratamento diferenciado a comer iguarias, deitados à sombra, esperando seus últimos dias.
Pasmem!
Ao alvorecer, quando os demais bois eram conduzidos à curralama para serem cangados e puxarem os carros, os outros bois, em sua tranqüilidade de “aposentados”, punham-se a mugir melanco querendo entrar nos currais para serem arreados e trabalharem também.
Os velhos cães de caça também são assim.
Se os animais agem desta forma, o quê acontece com os humanos?
Usualmente fogem.
Escondem-se entre antidepressivos, saudosismo, em curtas incursões alcoólicas, barbitúricos, “turismo médico”, companhias femininas ou masculinas geralmente também deprimidas etc.
Como resolver isso?
A resposta cabe a cada um dentro de suas próprias opções.
Tenham um ótimo feriadão.
Abraços a todas(os).
J. R. M. Garcia. 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

= MEMÓRIAS ANCESTRAIS =


Fiquei chocado.
Estudando O LIVRO VERMELHO (Liber Novus), deparei com a afirmação lúcida de Jung, que o inconsciente divide-se em dois, sendo o coletivo e o individual. Nada tão estranho.
   Pois que aceitar o inconsciente coletivo, é quase como admitir a presença de uma entidade singular, primordial da espécie humana. É mesmo acolher que na espécie estivesse a existir um depósito antiqüíssimo de uma “memória” primordial.
     Mas, mais chocado fiquei, quando recordei que minha ex-eposa, mãe de meus filhos, assegurava que em suas pinturas a óleo, ela possuísse memórias de guerra e isso era o que ela ali retratava. Pinturas trágicas, desoladas, assim como que a reproduzir uma espécie de recordação de priscas eras e que, agora, não mais ocupava nosso universo comum.
     Sempre critiquei esta forma de interpretação dela.  
     Mas seria verdade o quê ela dizia?
     Exatamente não sei.
    Ela é filha de libaneses sem qualquer cruzamento. Dir-se-á que é raça pura do Oriente Médio, e muito antiga. Teria “memórias” do passado?
     Mas, mais.
  Jung afirma que para alcançar em análise o inconsciente coletivo, este somente entende a linguagem de expressão via da pintura, desenhos, músicas e outras formas primárias de procedimento. O inconsciente não compreende a linguagem meramente racional.
     Agora ela morreu e, assim, não há como confirmar. Digo. Morreu para a pintura.
     Continuarei estudando Jung e continuarei contando a vocês.  
     Uma ótima semana para todos.
     Abraços.
     J. R. M. Garcia.  

        

domingo, 13 de abril de 2014

= SOMOS COMPLICADOS DEMAIS =


      Você é o quê parece ser, o quê na verdade pensa que é e o quê realmente é.
      Quando você olhar para uma pessoa  -seja ela quem for:  sua amada, o Papa, o silvícola australiano ou mesmo o quitandeiro da esquina- saiba que você estará vendo, no mínimo, dois indivíduos bem distintos. Um é a pessoa consciente, a outro é ela mesma mas inconsciente.
      Correto estava Freud, quando afirmou que o indivíduo é pouco mais ou menos senão “uma ilha de consciência em um oceano de inconsciência”.
      Todos nós, se não somos mais que um, somos na verdade vários.
      Seres bem estranhos, é o que somos.
      Essa apenas uma interpretação muito resumida da psique humana. Na verdade somos muito, mas muito mais complicados.
      Já em 1918, Jung escreveu um ensaio “SOBRE O INCONSCIENTE” e, daí para cá, ninguém minimamente letrado pode considerar como novidade esta forma de apreciação da espécie humana. O mundo da percepção interna e da percepção externa, divide o universo em dois: o da racionalidade e da irracionalidade. Negar um dos dois é tolice prosáica.
      Schiler (poeta, filósofo e historiador alemão) em 1780 afirmou que somente a arte aproximava estes dois mundos diversos. Não é verdade, segundo Jung e Freud.
      A permeabilização  destes dois universos é possível sim com um ingente esforço de cada pessoa.
      Mas isso é assunto para outra hora. Aqui é somente um Blog.
      Tenham uma proveitosa semana.
      Abraços.
      J.R. M. Garcia.  
     
     
     

      

quinta-feira, 10 de abril de 2014

= É ISSO AÍ =


   Já fui confundido com muitos personagens em situações diferentes.
Algumas até com algum destaque, outras nem tanto e, muitas, sem a mais mínima expressão.
Ultimamente, já velho,  minha versatilidade em mimetizar tem diminuido.
Em Brasília, trajando uma bermuda muito usada, camisa esporte, estando eu a olhar algumas quinquilharias esparramadas à venda na calçada, fui abordado:
“--- Oi bicho ! Qual o preço destas miçangas ?”
De outra feita, chegando em um vôo de carreira em São José do Rio Preto, um grupo de pessoas dirigiu-se a mim perguntando:
“--- O senhor é o senador ?
Já em Uberaba, estando ao lado de um vendedor de jacás, indagaram-me:
“--- Véiiooo....Qual é o preço de cada um ?”Em um leilão de gado em Araçatuba, o leiloeiro apresentou-me pelo microfone como sendo Lúdio Coelho,  ex-prefeito de Campo Grande e ex-senador.Mas tudo isso para contar que, em Ituiutaba, assistindo uma reunião de terapia de grupo comunitária, confundiram-me   -e nesta idade, vejam só-   como viciado em craque.
É isso aí.
Tenham um fim de semana abençoado.
Abraços gerais.
J. R. M. Garcia.


= PORQUÊ TENHO FÉ =



        Brevíssimo relato.
       Minha irmã, chegando agora aqui, e vendo o que eu estava escrevendo, “bateu-me à pau”.   
       “--Você tem fé porque foi batizado.” E saiu sorrindo.
       Não. Não é assim. Ela está errada. 
       Supostamente eu possua algum espírito científico.
       Ou não ?      
     Se assim é  -se não tenho uma interpretação racional do universo-  não vejo como ser-me-ia possível aceitar pensamentos como o de Darwin, idéias como a de Jung, entendimentos como o de  Nietzsche, explicações atéias com as de Bertrand Russel e, até mesmo, visões como a de Wagner e outras expressões artísticas. Compreendo-os e nem me é estranho o pensamento do paganismo grego e romano. De santo Agostinho, voltando a Sócrates, percorri muitos caminhos.   Mais. Teilhard de Chardin, vejo como injustiçado nos moldes que a Igreja Católica fez  –voto de silêncio-  deste magnífico espírito que antecipou a existência da web e isso determinou duas eras, como ele não previu.   
       Falo isso não para louvar-me, mas para alertar que sou um cultor liberal do pensamento livre nos moldes de Voltaire. Amo até o espírito daqueles que genuinamente combatem-me com ardor. 
   E assim, dito isso, aqui, busco explicitar em curtíssimas palavras “porquê tenho fé”.
     Deus é um ser destacado da Natureza. O “corpo” além do que nos cerca. Contudo, nem por isso alheio, além ou aquém. Sujeito do próprio Universo, mas inserido nele sendo sem ser. Vontade absoluta e única. Proeza inimaginável além de nós, mas em nós mesmos. Não somos seres privilegiados. Somos apenas seres de “Sua vontade”.
       Por isso tenho Fé.
       Tenham um excelente fim de semana.
       J. R. M. Garcia.   
       

terça-feira, 8 de abril de 2014

= PT SEMPRE IGUAL =


MAS VEJA ESSA MAURICIO.
“Apenas a Argentina (o,5) e Venezuela (-o,5) terão crescimento menor  que o Brasil na América do  Sul”.
Notícia de hoje (08/Abril/014) BBC BRASIL
Esta a informação do FMI. (Fundo Monetário Internacional).
Que se lhe parece, meu querido Amigo?
Ahhhhhhhhhhhhhhhh !!!!!!!!!!!!
É com tristeza, desalento, desânimo que publico isso aqui. 
PT, seja da Venezuela, da Argentina ou o nosso, É TUDO IGUAL.
Abraço.
TI ZÉ. (J. R. M. Garcia)


sexta-feira, 4 de abril de 2014

= O FURACÃO =


E, naquele dia, foi assim.
Terrível e lindo.  
A tempestade alerta o Capitão. Ele vê o mar. As ondas negras, rugindo, explodem no costado. Sabe de onde vem a borrasca. Rápido, imediatamente, ele conduz a proa do grande barco rumo às ondas do tufão. Maquinas a toda força.  É tudo que contraria todos seus instintos. Mas ele age assim sem pensar. Jamais correr das ondas. Enfrentá-las de frente. De lado ou de popa, seu barco vai ao fundo.
Cada vez mais e mais, com destino contrário ao do furacão, o qual passará sobre seu barco.
As gigantescas vagas, minuto a minuto, estouram em seu convés. Batem forte. Todo o navio range. Treme. Geme. Estala. Chora. Mas será assim. Ou o barco vai ao fundo, ou enfrentará a borrasca até o fim. Ele, afinal, ama este enorme gigante que é seu navio. 
Dedos crispados, corpo bamboleante. Aparência serena, mas alma atilada. Com medo, mas pronto para morrer.  
O medo e a coragem envolvem o ser.
Assim são os velhos Lobos do Mar.
Essa é uma grande luta.
J. R. M. Garcia.



= VELHICE SOLITÁRIA =

-TRANSCRIÇÃO DE UMA ÚLTIMA CARTA QUE ENVIARAM-ME EM SEQUÊNCIA DA ÚLTIMA PUBLICAÇAO QUE FIZ AQUI NO BLOG EM 1º DE ABRIL-
TALVEZ ESTAS PALAVRAS DE REFLEXÃO SIRVAM PARA ALGUM JOVEM

“Muito obrigado.
Não percebe, não é? Se percebe não compartilha. Se compartilha não demonstra. Se demonstra não sente.
Pena que não tenha entendido que o quê falo, são de minhas experiências pessoais. Nada mais. Do que estou sentindo. Somente isso. Sem arrazoados intelectuais impessoais e vazios. Pensei que a lucidez das narrativas trouxessem-lhe alguma meditação. Mas o quê vi, vindo de seus conselhos, foi apenas uma dissertação acadêmica e sem coração.
Você me falou de Epícuro.
Epicuro, contudo, apenas sei que por negar a responsabilidade em seus “deuses” na Grécia de então, deixou a desejar. Mas isso faz muito, muito tempo. Um elogio ao bem viver.
Como você eu critico toda forma de comportamento estóico. Aliás, esta é a crítica que tenho a Willian James, embora sabendo que dele Jung bebeu experiências, tanto quanto contemporâneos. James deixou-se perder no pragmatismo para-militar dos nórdicos.
Mas sempre serei um desterrado aqui.
Não quero me ver como “o filho pródigo”.
Tentarei dar um rumo nisso.”
TRANSCRITA POR
J. R. M. Garcia.




terça-feira, 1 de abril de 2014

= VELHICE =


-   PARTE DE UMA CARTA QUE ENVIARAM-ME  -
TALVEZ ESTAS PALAVRAS DE REFLEXÃO SIRVAM PARA ALGUM JOVEM

“Mas, de uma forma ou de outra, vejo que já cumpri os desígnios da vida. Uma vida simples, curial, própria de um brasileiro mediano. Estudei, trabalhei muito, mas tive meus “dias de glória” também. Poderia chamá-los mediocremente assim? Acho que, talvez, com uma dose de cinismo, sim.  
Desta forma, não vejo porquê tentar prorrogar este tempo que supostamente Deus deu-me neste planetazinho. Não há motivos. Já vivi, vi algumas coisas, experimentei muito neste meu pequeno mundo. 
Assim, minhas expectativas são modestíssimas.  
Dir-me-ão que, se agora deixo-me levar pelas pesadas cargas de uma velhice de todo em todo provecta, males cairão sobre mim tal qual acidentes cerebrais, diabetes, infartos lesivos de minhas plenas capacidades, Alzaimer e mais e mais males imprevisíveis.
É possível que assim seja. Somente vejo ameaças e ameaças de maiores males. Nunca a humilde esperança de alguma forma de renascimento. Digamos, uma ilusão qualquer de que dias melhores virão. E isso é mesmo uma verdade. Ninguém, em sã consciência, haveria de “prometer-me” dias melhores.
A velhice, em si mesma, nunca imaginei que fosse tão solitária e triste. Vejo-me só em cada festa que vou, em cada logradouro público. Todos morreram ou encontram-se alquebrados. Eu ainda resisto. Não quero, deste modo,  esta luta que não leva a nada, ora. Já sei o fim. Já o vejo. Por quê tentar adiá-lo? O final da partida é próximo.
Dir-me-ão. “Se você deixar-se apagar lentamente, sua família quererá mantê-lo vivo de qualquer modo e, com isso, você infringirá sofrimento em outros e em si mesmo.” Mas não creio que isso seja verdade, pois ninguém quererá  -nem agora-  tolerar um velho. E, de mais a mais, esta maquina parará e, com igual intensidade, todos os males das doenças cairão de uma só vez sobre mim.
Será assim. Neste dias que virão tornar-me-ei um trambolho de uma forma ou de outra. Seja por doenças invitáveis, seja pela perca do interesse em minha pessoa, seja porque cargas d’água forem.
Mas, inevitavelmente será assim.
Deixemos que Deus realize nossos destinos. ”
TRANSCRITA POR
J. R. M. Garcia.